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sexta-feira, 3 de março de 2017

(off) Reflexões à mesa



Ontem eu precisei vir à casa da Mamãe Sal à hora do jantar e aproveitei para trazer a vitamina noturna dos meninos - Pedro e Laura. Encontrei-os devorando um belo prato de sopa. Sentei-me junto a eles e, enquanto me distraía com um joguinho no computador, procurava prestar atenção principalmente em Pedrinho, que está atravessando uma fase de relativamente aguda sensibilidade. Não tive que esperar muito até que ele manifestasse um pouco de suas incertezas, motivadas tanto pelo que observa em torno de si quanto pelo que anda a matutar. Foi Sal quem primeiro notou o olhar diferente do menino e perguntou-lhe:
- O que foi?
E enquanto comia sua sopa, com a voz meio embargada Pedro desabafou suas inquietações pré-adolescentes:
- Eu estou preocupado: quando eu crescer, será que vou tomar decisões erradas?
Ficamos compadecidos, Sal e eu, e procuramos consolá-lo dizendo que todo mundo toma decisões erradas na vida e isso faz parte das experiências de crescimento. Mas meu neto tinha o peito angustiado e entre lágrimas questionou:
- E se eu morrer?
Como se percebe, temos em casa um futuro aprendiz das verdades da vida, alguém que talvez vá dar muito trabalho aos evangelizadores com as dúvidas que já começam a despontar em sua cabecinha - e isso é muito bom!
Pois bem, após o último desabafo, misto de medo e apego, de Pedrinho, Sal e eu nos esforçamos para demovê-lo daquele estado, dizendo que todos morreremos um dia e que a morte não é o fim, após o que nosso menino, abraçado a sua mãe, deixou escapar mais um pouco de seu sentimento:
- Então eu quero morrer com todos vocês!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

(off) Sensibilidade

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Pedrinho e Laura estão aqui fazendo a lição de casa. Fico à disposição deles para qualquer exigência e eis que Pedro vem me interrogar sobre uma dúvida relacionada com uma história de seu livro de Língua Portuguesa. O exercício consistia em interpretar a intenção do autor ao cunhar a expressão "Isto também vai passar", constante do texto. Tentei explicar o sentido da frase e até dei alguns exemplos, após o que deixei meu neto com sua incumbência. Mas mal terminei de dar minha colaboração, notei os olhos do menino marejados e até agora não sei o que lhe passou na alma, ao me ouvir dizer que, assim como as coisas más, também os bons acontecimentos desta vida são igualmente passageiros...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

(off) Filho único

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Pedrinho vive nos surpreendendo. Um acordo feito entre seus pais - Sal e Alexandre - no ano passado previa que ele e Laura passariam este mês de janeiro inteiro na companhia paterna. Laurinha estava ansiosa por esse momento, tanto que no final da manhã do dia 2 ela me recepcionou com estas palavras, logo que cheguei à casa deles:
- Você acredita que Papai ainda não veio nos buscar?
Mas Alexandre chegaria pouco tempo depois e era atordoante a disparidade de sentimentos entre os dois irmãos. Estavam aqui em casa na ocasião e Laura desceu depressa pelas escadas do prédio; Pedro, entretanto, lacrimejava, contrafeito, justificando a saudade antecipada que sentia da mãe. Mas entrou no carro do pai e foi. À noite, porém, o telefone toca aqui em casa e ouço a voz chorosa do garoto:
- Vovô, estou com muita saudade, eu quero voltar!...
Acalentei-o dizendo que seu pai o traria pela manhã, mas no dia seguinte Mamãe Sal me contou que naquela mesma noite o menino telefonou para ela, contando a mesma história da saudade e Sal também tentou consolá-lo dizendo que pela manhã ele poderia voltar, mas Pedro retrucou:
- Na verdade, eu já estou aqui, na porta do prédio.
Era o fim de uma estranha novela que meu neto protagonizou e não adiantou Laurinha tentar convencê-lo, mais tarde, pretextando os brinquedos de que ele gosta. Depois, interrogando-o, quisemos saber o motivo que o fez dispensar o mês de passeios e divertimentos que ele teria junto do pai e da irmã e Pedrinho saiu-se com esta:
- Eu queria me sentir o filho único!...