domingo, 10 de agosto de 2014

(off) Carro desgovernado

Esta tarde, brincando com o Dindo Caio, Laurinha inventou de "dirigir" um carro imaginário, formado por três cadeiras: a da "motorista", a do "carona", ao lado da primeira, e a do passageiro de trás, que era Caio. Embora fosse um passageiro, meu filho também fazia as vezes de "motor" do "carro", reproduzindo os sons característicos, além de descrever as situações de trânsito. A certa altura do "passeio", a empolgação de Caio provocou tal pânico em Pedrinho que o menino desconfiou da habilidade da irmã ao volante e despongou do "veículo", exclamando:
- Eu vou é sair deste carro!...

(off) O som da princesa

Na volta para casa, após deixarmos o hospital, o Papai Alexandre ligou o som do carro para ouvirmos músicas selecionada num "pendrive". Dentre as atrações, ouvimos os blues do Djavan, sucessos do Rappa e de Nando Rais, além de um rock maneiro que Pedrinho adora - soube depois - e sobre o qual não registrei quaisquer referências. Mas se o menino esta feliz com a música, o mesmo não se deu com Laurinha, que abriu o berreiro no carro, para nosso estranhamento. Procurando saber o motivo do chororô, ouvimos de Laura esta explicação:
- Princesas não ouvem rock, só príncipes!

(off) Preocupação

Na sexta-feira passada precisei me submeter a um procedimento cirúrgico de urgência, para drenagem de um abscesso nas costas, e por isso passei o fim da tarde e o início daquela noite deitado numa maca de hospital, de bruços. Caio, meu filho, era meu acompanhante no fim de tudo minha filha Ananda fez-se presente, ao lado de Bia, minha esposa, para me recambiarem de volta a casa, a bordo do carro de Alexandre, pai de Pedro e Laura. Só faltou a Mamãe Sal, que teve de cumprir horário na escola onde trabalha.
Assim, quando deixamos a sala de curativos e nos dirigimos à Recepção do Hospital Tereza de Lisieux, os netos lá estavam a nos esperar, junto com o pai, e manifestaram a alegria em rever este avô, com o qual estavam preocupados, segundo as mulheres me disseram. Ao ver-me, Pedrinho correu ao meu encontro, abraçou-me a cintura e comemorou:
- Vovô Chico, você já está bom!
Laurinha, ao contrário do irmão, não saiu do sofá onde fingia dormir, mas fui até ela e a menina abriu os olhos, revelando então sua preocupação com esta pergunta:
- Vovô, você está bem?
Mais tarde, já em casa e devidamente acomodado em minha cama, sendo tratado como doente, minha netinha veio me ver e insistiu:
- Vovô, você tem certeza que está bem?

(off) Falsa tristeza

Ontem à noite, meu filho Caio, padrinho de Laura, fez-nos uma visita e relembrou um episódio muito engraçado protagonizado por Pedrinho. Disse Caio que uma das últimas vezes em que ele esteve a sós com o menino, Pedro lamentou-se acusando o que disse ser tristeza. Mas o tio tentou consolá-lo a partir de algumas observações:
- Você tem mãe?
- Tenho.
- Você tem pai?
- Tenho.
- Tem irmã?
- Tenho.
- Você tem avô e avó?
- Tenho.
- Você tem tio e tia?
- Tenho.
- E você tem motivo para estar triste?
O menino, que já meditava a cada resposta dada ao tio, é obrigado a reconhecer:
- Não, eu sou um ingrato! - e danou-se a chorar...

(off) "Le petit garçon"

Pedro pega um bloquinho de papel - aquele que Laurinha ganhou em sua última visita à Casa de Oração Bezerra de Menezes - Cobem - e, fingindo ser um garçom, vem me "servir", anotando meu "pedido":
- Bom dia, senhor, é hora do almoço. O que o senhor vai querer?
Claro que entro na brincadeira e tento ser o mais simples e direto possível:
- Quero um prato de arroz com ovo.
Mas Pedrinho corta meu "barato" querendo que eu seja mais específico:
- É matinal ou sem carne?

(Que diabos é "matinal"?)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Especial

Ontem à tarde, este avô e o Papai Alexandre demos boas gargalhadas com Pedrinho, com quem não cansamos de nos surpreender. A pedido da Mamãe Sal, nós nos propúnhamos a auxiliar tanto Pedro quanto Laura nos respectivos deveres trazidos da escola. O de Laurinha era muito fácil e lodo a menina estava desincumbida da tarefa, restando a parte de Pedro, que consistia em recortar de revistas algumas palavras qualificativas dos avós. Para tanto, trouxe à apreciação do menino um antigo exemplar da revista Veja que trazia uma longa reportagem sobre a eleição do Papa Francisco, cujo nome aparecia em tipos garrafais na capa. Observando o fato, o pai de Pedro pergunta-lhe se na capa da tal revista há alguma palavra que remeta a um de seus avós. O menino passa os olhos pela capa da publicação e tem sua atenção atraída pela expressão "edição especial" sobre o título, em tipagem reduzida, e dispara:
- Aqui: especial!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

(off) Outro coração

Até mesmo Vovó Bia já percebeu a forte inclinação de Laurinha para os temas transcendentais, observando o quanto a menina se entrega a momentos de meditação. Talvez por isso ela veja nossa netinha fazer "do nada" perguntas de profundo significado, levantando questões que raramente ocupam a cabecinha de crianças da idade dela. Um exemplo disso é nossa já conhecida curiosidade de Laurinha com relação à presença de Deus no coração dos homens. Ela retomou essa preocupação ao inquirir Vovó Bia a respeito de um outro aspecto dessa questão, estabelecendo ambas esta diálogo:
- Vovó, o médico pode botar outro coração nas pessoas?
- Pode, Laura, e isso se chama transplante.
- E Deus vai estar no outro coração que o médico botou?

Ela vai longe, não?