sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

(off) Lição

A imagem pode conter: 1 pessoa, criança

Na manhã de ontem levei Ulisses para brincar na pracinha do condomínio, pretextando que ele precisava tomar sol. Meu netinho havia chegado aqui em casa bastante feliz porque tinha aprendido a "fazer metrô" e queria mostrar sua nova habilidade aos avós e aos primos, além da Tia Sal. O tal "metrô" ele faz juntando em fila os bloquinhos de construção que a Mamãe Ananda lhe presenteou e assim fomos à pracinha para que este avô aplaudisse sua arte e engenharia. Enquanto brincávamos solitariamente, eis que chega uma avó com o respectivo neto, que depois eu saberia chamar-se Miguel, que esticou os olhos para a brincadeira de Ulisses e quis participar também. Meu neto, contudo, a exemplo de toda criança espiritual, mostrou as armas do ego e barrou as pretensões do novo amiguinho com um sonoro "não, é meu!". Em resposta, Miguel foi chorar junto à avó e nesse momento o avô assumiu a toga e foi educar o pimpolho, exigindo que Ulisses pedisse desculpas ao outro e dividisse parte dos bloquinhos. Para meu espanto, meu neto abraçou Miguel, dizendo "desculpe", e daí em diante os dois já eram os melhores amigos desta vida. Pois é, o Cristo está certo: "Deixai vir a mim as criancinhas, não as impeçais, porque o Reino dos Céus é para aqueles que se lhes assemelharem".

(off) Gostos


Ainda não consegui fazer com que Ulisses ao menos experimente a vitamina que faço "há séculos" para Pedro e Laura. Mas se eu "rebobinar" a memória, recordarei que quando meus filhos eram solteiros somente Ananda, mãe de meu terceiro neto, me acompanhava nesse hábito. No entanto, Ulisses se aproxima sempre que percebe minha movimentação para preparar a iguaria para os primos:
- Quero ajudar! - diz ele, disposto a ser carregado em meus braços e me auxiliar apenas observando o que faço, tecendo comentários próprios de sua condição infantil que me fazem rir muitas vezes.
Ontem, após a liquidificação dos ingredientes, enchi os copos de Pedro e Laura e, como sempre sobra um pouco, ofereci esse pouco a Ulisses e ele teve a mesma reação das vezes anteriores, mas com muito mais graça:
- Vovô gosta de vitamina; Ulisses gosta não!

(off) Palavrinhas mágicas



Minha filha Ananda, mãe de Ulisses, tem muito cuidado em fazer seu filho se comportar convenientemente junto às pessoas - assim como, de resto, Vovó Bia, Dindo Caio e Tia Sal. Desse modo, ensinam o menino a observar as regrinhas de ouro que regem a convivência, tornando-a agradável e harmoniosa. É preciso notar que essa semeadura dá frutos a médio e longo prazos, para satisfação dos familiares mais velhos. Mas quando o resultado vem a curto prazo, o resultado é o espanto e algumas gargalhadas. Foi o que aconteceu quando nosso menininho, levado pelos pais a uma festividade na casa dos avós paternos, reviu a bisavó e esta, interagindo com ele, apresentou-lhe um skate de brinquedo que havia sido de Pedro e convidou:
- Ulisses, venha brincar.
Meu pequeno grande herói ficou parado, olhando para ela, sem esboçar qualquer reação. A bisavó insistiu:
- Você não quer brincar?
E então Ulisses saiu-se com esta:
- Você não disse "por favor"!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

(off) Homenagem musical


Pedro foi a primeira pedrinha que veio rolar no leito do rio que é minha vida de avô. A ideia da pedra costurando as manifestações de carinho depositadas aqui foi inspirada no nome dele, afinal, Pedro é pedra, conforme o conceito explicitado por Jesus, o Cristo. E antes mesmo que Pedro chegasse, já eu me envolvia em projetos demarcatórios, como este blog e o livro de poemas que jamais se publicou - e os versos estão espalhados por aqui. Depois veio Laura, seixo lapidado pela correnteza que me encontrou um pouco mais preparado para a segunda experiência, até que finalmente Ulisses se apresentou, trazendo-me muito mais contentamento do que seria de esperar. Não são pedras iguais, absolutamente; como os minérios que enriquecem o solo do planeta, cada um dos três netinhos tem uma tonalidade, uma cor e um brilho todo especial e assim os três se destacam ante meus olhos e meu afeto, sem preferências. Todos os três vêm contribuir com o preciosismo próprio para meu burilamento, que as pedrinhas de rio para isso servem, e nessa tarefa também elas se aperfeiçoam, aformoseando-se aos olhos do Criador. Falo dos três porque são os que aqui se encontram, porquanto o ciclo, aparentemente, ainda não se fechou e nesse sentido ouço a filha mais nova, mãe de Ulisses, falar em providenciar um(a) irmã(o)zinho(a) para meu pequeno grande herói...

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

(off) Duas gargalhadas


Ulisses, meu terceiro netinho, ainda está, em seus dois aninhos bem vividos, reconhecendo as coisas deste mundo. Seu vocabulário já é bem desenvolvido e ele já consegue dar ênfase a certas palavras e expressões, como fez hoje, enquanto via, pela enésima vez, um de seus vídeos favoritos do YouTube. Como divido a tela com ele, escolhendo o que também me interessa, e, que ainda não percebeu ser isso possível, estranhou quando usei o teclado para fazer uma nova postagem no Facebook e estrilou comigo:
- Eu quero ver isso aqui, tá bom?
Gargalhei, mas o que quero salientar é que meu neto foi hoje apresentado ao coco seco, que ele só conhecia na versão verde. Quando voltei do mercado e comecei a tirar as compras da sacola, Ulisses veio para perto e por isso, com o coco seco na mão, perguntei a ele o que era aquilo e sua resposta me fez gargalhar mais ainda:
- Madeira!

sábado, 18 de novembro de 2017

(off) Gosto




Quando dizem que as crianças prestam atenção em tudo é porque elas são naturalmente observadoras, por isso os pais - e avós! - devem se conscientizar de que as educamos muito mais pelos exemplos que damos do que através de belas lições teóricas que não correspondem ao comportamento habitual. Digo isso porque ontem, após acordar de seu sono vespertino, nosso pequeno Ulisses veio para perto mim, que estava sentado ao computador, e pediu colo, após ter tomado sua merenda. E quando vem para frente do computador, ele só quer uma coisa:
- Quer ver Peppa - diz, referindo-se à porquinha cor de rosa do desenho animado.
Assim, quando me forçou a mudar a programação do YouTube, meu neto comentou de modo bem jocoso:
- Vovô adora música; Ulisses gosta de Peppa!
Pois é.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

(off) Informação é poder


Quando estão aqui em casa - e isto tem sido frequente -, Pedro e Laura já não se contentam com apenas assistir TV e querem ora meu celular para jogar, ora pedem o computador para verem seus vídeos favoritos. Por isso não estranhei quando Pedrinho, na manhã do feriado, veio me questionar sobre se eu usaria o micro naquele dia. Acontece que ultimamente, talvez por causa desse uso infantil, meu PC tem apresentado certos probleminhas que, felizmente, consigo resolver. Assim, eu perguntei a Pedro o que ele tencionava fazer e meu neto somente insistiu:
- Vovô, você vai usar seu computador hoje?
Então respondi que iria sair, de modo que não iria, de fato, precisar do computador naquela manhã. E, para minha gargalhada, o menino deu uma risadinha esperta e declarou:
- Eu prometo que não vou usar essa informação!

(off) É barra!


Graças a Laurinha, que me trouxe um problema em seu dever de casa ontem, aprendi, consultando São Google, que aquelas barras de segurança que vemos e usamos nos ônibus e demais veículos de transporte público se chamam balaustres. Pois bem, precisando acompanhar Vovó Bia Muniz a Itinga na manhã de hoje, levamos junto o pequeno Ulisses em nossa viagem de metrô até a Estação Mussurunga. Em seus dois anos bem desenvolvidos, o menino, que não desgruda deste avô, sentou-se comigo num lugar onde havia uma daquelas barras de aço e sua mãozinha esquerda encontrou apoio ali. Como sei que o ar-condicionado é bem frio no interior dos vagões, inquiri meu netinho a esse respeito e ele me fez dar uma gostosa risada com sua resposta:
- Está frio, Ulisses?
- Não, está gelado!

domingo, 5 de novembro de 2017

(off) Meu cordel

    
Laurinha não me disse nada, foi Mamãe Sal que alardeou que a menina tinha um dever de casa especial para fazer e para tanto necessitava de minha ajuda. A tarefa imposta pela zelosa professora de Laura era apresentar, cada aluno de sua turma, um livreto de cordel explorando um assunto específico. A minha neta coube o tema "os violeiros", sem mote nem nada. Assim, na tarde deste domingo, logo após tomar sua vitamina, Laurinha vem para perto de mim solicitar a ajuda - e eis-me recordando meus imaginários tempos de repentista pouco afeito aos alexandrinos:

Os violeiros

No sertão da minha terra
Mora um povo altaneiro
Que vive de bem com a vida
E não se importa com dinheiro
É uma gente trabalhadora
E eu vou falar agora
Dos amigos violeiros

Violeiros são cantadores
Exímios na rima e no verso
Cantam sempre de improviso
Como se rezassem o terço
Dedilhando sua viola
Os dedos parecem de mola
E assim cantam o dia inteiro

Vou falar de Zeca e Zequinha
Dois violeiros daqui
Nesta minha terra inteira
Como esses dois nunca vi
Cantam e tocam como ninguém
E se resolvem tão bem
Que superam o bem-te-vi

Não existe violeiro
Melhor que Zeca e Zequinha
Pra cantar pena de galo
Ou pescoço de galinha
Eles cantam dia e noite
Fazem versos de açoite
Tal o padre em ladainha

Pra nós, aqui no sertão
Fazer verso e tocar viola
É profissão prazenteira
Bem melhor que jogar bola
Violeiro tem seu lugar
E vale mais que Neymar
Com seus milhares de dólar.

sábado, 4 de novembro de 2017

(off) Família: uma noção


Ontem à tarde estávamos quase todos aqui em casa, faltando apenas Pedro e Laura, além de Gabriel Morais, marido de Ananda e pai de Ulisses. Este meu netinho tinha acabado de voltar da barbearia, onde, levado por sua mãe, teve parte de sua basta cabeleira devidamente tosada. Seu dindo, Caio, também os acompanhou nessa jornada, com a mesma finalidade. Assim, estávamos todos juntos observando a desenvoltura alegre do menino quando, não sei por que razão, resolvi testar seus conhecimentos:
- Ulisses, cadê a família Muniz?
Ele me olhou com alguma perplexidade e abriu os bracinhos, como a indicar não saber do que se tratava. Mas Caio e Shirley vieram em seu socorro informando que éramos nós a tal família Muniz. Dissemos-lhe, então, que ele também era um Muniz. Mas Ulisses, sabedor de quem é filho, trouxe-nos o complemento quando lhe perguntamos, enfim, qual era seu nome de família e ele disparou, para nossa gargalhada:
- É Morais!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

(off) Barbie


Por se encontrar enferma há alguns meses, Vovó Bia emagreceu uns 10 quilos, de forma que as roupas folgadas já atestam sua silhueta esguia. Não sei bem se foi isso que motivou as palavras elogiosas de Laurinha esta manhã, quando dedicou-se a brincar com uma de suas bonecas ao lado da avó:
- Vovó, você parece a Barbie!
A mim, que me encontrava na cozinha naquele momento, pareceu uma referência sutil à condição física da matriarca, mas certamente minha neta apenas louvava a beleza de minha esposa...

(off) O cinza

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas sentadas e criança

Não posso dizer que as crianças sejam exatamente preconceituosas, embora, como reencarnacionista que sou, entenda que todos trazemos uma bagagem de orgulho e egoísmo que precisamos desfazer a golpes de caridade e humildade. Explico-me: é que hoje de manhã me contaram aqui em casa que Vovó Bia ensinou uma musiquinha a Ulisses e meu neto manifestou um comportamento assaz surpreendente. Nessa música, a avó de Ulisses, Pedro e Laura qualificava os netos a partir do tom da pele. Ora, os mais velhos, filhos de minha filha mais morena, são notavelmente branquelos, enquanto Ulisses, filho de minha filha mais branquela, nasceu bem moreninho, daí Vovó Bia cantar:
- Eu tenho três netinhos que amo de coração; um é preto e dois são branquinhos...
Mas Ulisses se rebelou ante essa descrição, segundo Tia Sal que contou, revelando que então perguntou ao menininho:
- Você é o netinho preto?
- Não!
- E qual é sua cor?
- Cinza!
O IBGE deveria saber disso para o próximo censo?

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo

domingo, 29 de outubro de 2017

(off) Ulissiana

A imagem pode conter: 1 pessoa, criança

Meu terceiro netinho é um tanto circunspecto, na dele, embora saiba sorrir e até gargalhar gostosamente, como quando lhe faço cócegas ou sua verve humorística é despertada para algo inusitado. Digo isso tudo porque num dia desses notei que ele não se incomodou nem um tantinho quando, todos sentados no sofá, abracei sua mãe, Ananda, e, querendo provocá-lo, disse que ela era meu amorzinho. Ele olhou assim e nada disse, preferindo continuar prestando atenção no desenho animado da TV. Foi então que Nandinha entrou na brincadeira e perguntou ao menino:
- Eu sou o amorzinho de quem?
E meu neto nem pestanejou para responder:
- Ulisses!
Não satisfeita, Ananda voltou à carga:
- E quem é o amorzinho do Vovô?
O menino, que se sente mesmo o centro de todas as atenções aqui em casa, não se perturbou e disse:
- Ulisses!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

(off) TV aquosa


Quando saí do banho, nesta manhã, vi Laurinha inclinada sobre o visor da máquina de lavar, enquanto esperava a hora de descer para tomar o transporte escolar. Aproximei-me por trás dela e fiz uma brincadeira:
- Esse televisor só tem uma programação.
Disse isso porque minha neta havia deixado a TV ligada num programa infantil na sala. Mas a menina não se incomodou e me respondeu toda dengosa, enquanto as roupas giravam na lavadora:
- Eu estou adorando este canal!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

(off) Contabilidade dentária



Na manhã desta segunda feira, novamente Pedrinho fez - sem querer, claro - com que eu gargalhasse muito. Mas antes de contar como foi, devo dizer que demorei um pouco, na infância, para saber que todos temos 32 dentes na boca, salvo as exceções de praxe. Creio ter sido na escola que fiz esse reconhecimento, que comprovei em casa diante do espelho. Assim, quando Pedro terminou de tomar sua vitamina, como sempre acontece pedimos que ele fosse logo escovar os dentes. Nesse momento eu banquei o engraçado e observei:
- Todos os 32!
Meu neto estancou o passo e manifestou sua surpresa:
- Trinta e dois? Vovô, você conta meus dentes quando eu estou dormindo?

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

(off) Amizade



João, filho de Daniela, vizinha-de-porta de minha filha Sal, é um grande amigo de Pedro e Laura, exatamente como mostra a fotografia. Essa amizade, como era de se esperar, agora inclui Ulisses, que vê em João uma extensão dos primos e manifesta desde cedo a alegria em estar com esse companheiro de folguedos, apesar da diferença de idade. Foi com João que meu terceiro netinho deu uma de suas mais divertidas gargalhadas, por ver o amigo brincar com uma "torre de copos". Recordo tudo isso para contar recente episódio durante o qual alguém daqui de casa, possivelmente Mamãe Sal, perguntava ao sobrinho, mais uma vez, qual o grau de parentesco que o unia aos outros:
- O que Pedro é seu? -, indagava ela, para ouvir de Ulisses a resposta óbvia:
- Primo.
- O que Laura é sua?
- Prima.
E Sal foi um pouco mais adiante para testar a acuidade mental de meu pequeno grande herói:
- E o que João é seu?
Ulisses não contou conversa e disparou:
- Amigo!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Artes do Tio Caio

Tio Caio veio visitar a gente hoje de tarde e inventou de escrever no Facebook essa resenha que Vovô Chico colocou aqui, junto com a foto que Tio Caio também fez:

"Meu sobrinho Pedro (9 anos) é um descaradinho e tem umas tiradas ótimas: hoje, ele e sua irmã, Laurinha (7 anos), vieram me contar que as crianças para o filme live-action da Turma da Mônica já foram selecionadas e estão num vídeo no YouTube. Eu, então, aproveitei que eles estavam com roupas parecidas com as da Mônica e do Cebolinha e perguntei se eles haviam participado do processo de seleção para o filme, não sem antes alfinetar um ponto de vista: "Se bem que você parece muito mais com o Cascão, Pedro!". Ele, indignado mas muito perspicaz, dispara logo a melhor resposta possível: "Sélio???", dando ênfase ao famoso "éle" da língua presa do Cebolinha!"

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, em pé

domingo, 24 de setembro de 2017

(off) Do sol nascente


Estive ontem pensando numa nova piadinha e resolvi testá-la com Pedro e Laura e fiz isso durante a caminhada de casa para o Centro Espírita onde eles participam das atividades de Evangelização Infantil. Assim, em meio à conversa que estabelecemos, comentei com minha dupla:
- Filho de japonês que nasce no Brasil é nissei; mestre, em japonês, é sensei; idoso, no Japão, é sansei.
Dada estas explicações, perguntei a meus netos:
- Como se diz "sei não" em japonês?
Pedrinho, como gosta de dar tratos à bola, ficou pensando na resposta, mas Laurinha, atilada como toda mulher sabe ser, disparou:
- Não sei!
E então eu a parabenizei pelo acerto.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

(off) Crítica de arte


Ontem à tarde, quando cheguei em casa, encontrei Pedro e Laura, que tinham almoçado aqui, a convite da Vovó Bia. Ananda, que se recupera de uma pequena cirurgia, também veio, com Gabriel - Ulisses encontrava-se em Stella Maris, com os avós Lea e Gustavo. Em certo momento, Laurinha, pretextando uma tarefa recebida na escola, pergunta a Kika quem é o pintor baiano que tem 105 anos e continua pintando. Por mais que pensássemos, não conseguimos atinar com a resposta, mas hoje a própria Laura trouxe a informação, dando conta de que ela se referia a Aldemir Martins, que não era baiano nem viveu um século entre nós, tendo sido contudo um grande mestre da pintura figurativa.
Mas ontem, enquanto queimávamos a mufa tentando entender o que minha neta queria, Pedrinho, com ares de grande entendido em artes plásticas, aproximou-se da irmã e questionou:
- Laura, como é essa pintura, é real, é surreal!?...
Gargalhei gostosamente.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

(off) Fiado só amanhã


Há algum tempo (pouco, na verdade), Laurinha tem se acostumado a fazer os deveres trazidos da escola aqui em casa, aproveitando que fico com ela e Pedrinho - e Ulisses, geralmente - enquanto Mamãe Sal dá banca aos meninos da vizinhança. Nesta tarde, minha neta vem da sala até meu escritório e solicita:
- Vovô, preciso que você pesquise no computador qual homenagem que fazemos em novembro.
Faço o que ela me pede e digito no Google a data de 2 de novembro. A menina colhe o resultado e já vai saindo quando me lembro de que há outra data comemorativa naquele mês e indico o 15 de novembro. Laura lê sobre a proclamação da República, agradece e dispensa esta última sugestão de uma maneira que me faz rir:
- Só uma basta, vou ficar com o dia 2 mesmo, o dia dos fiados!

sábado, 16 de setembro de 2017

(off) Mais gracinhas de Ulisses


Esta foi Tia Sal quem me contou. Estando na casa de minha filha mais velha e na companhia desta e de sua mãe, Ananda, meu netinho foi sabatinado, porque queriam saber se ele se lembrava do nome de seus familiares. Chegou a vez de perguntarem o nome do avô paterno e Ulisses respondeu, com seu jeitinho ainda tatibitate de falar:
- Vovô Tito (Tito sou eu, que ele ainda não consegue pronunciar Chico).
Mas as mulheres não se contentaram e insistiram:
- Não, como é o nome do pai de seu pai?
E ele:
- Vovô Tito!
Por fim, forçaram a barra:
- O nome de seu avô é Gus...
E Ulisses, que já sabe muito bem de seus assuntos, disparou:
- Tito!

(off) Gracinha de Ulisses


Não me move o orgulho, mas percebo o forte apego que meu neto Ulisses tem por este avô e às vezes isso resulta constrangedor. Não raro, o menininho, que agora é nosso vizinho (seus pais se mudaram para um edifício na mesma rua onde nós - Vovó Bia e eu mais Mamãe Sal com Pedro e Laura - moramos), chega aqui já perguntando por mim e sequer cumprimenta a avó. Por conta disso é que ontem demos muita risada do comportamento dele ontem à tarde. Foi assim: ele costuma comer sua merenda vespertina por volta das 15 horas e às vezes dorme a sesta; ontem, já tendo feito a vitamina dos netos mais velhos, prontifiquei-me para buscar Ulisses na casa da Tia Sal, mas ao descer as escadas dei com eles dois, que subiam. Logo, o menino vooou para meus braços e se despediu de sua "babá":
- Tchau, tia Sassal (é assim que ele a chama).
Mas Sal não arredou pé, olhando para ele e rindo, dizendo que meu netinho havia acordado àquela hora. Ulisses não esperou o fim da conversa e tratou de despachar minha filha:
- Vá, tia Sassal!

sábado, 9 de setembro de 2017

(off) Gastança


"Pearl's Peril" é o nome de um joguinho de que gosto muito no Facebook. Curiosamente, foi Laurinha quem mo apresentou e minha neta costuma dizer que o jogo é dela. É um jogo que permite, ao decifrarmos alguns enigmas e cumprirmos certas provas, obter moedas e cédulas com as quais "compramos" itens valiosos e passagens para as sucessivas fases. Pois bem, até ontem eu tinha mais de 40 cédulas guardadas antes de Laura me pedir permissão para brincar no computador. Num dos momentos em que entrei no escritório, minha neta me avisou:
- Vovô, estou fazendo um mini zoológico aqui.
Olhei e ela estava reunindo quase todos os animais espalhados pela "ilha" num lugar só. Exclamei "legal!" e me retirei. Hoje, porém, ao abrir a página do jogo percebo que só me restavam 11 cédulas! A menina, não contente em redecorar minha "ilha", fez a compra de outros animais. E pagando bem caro!

sábado, 26 de agosto de 2017

(off) Analista de estilo



No dia do aniversário da Vovó Bia, fomos todos jantar em "petit comité" para homenagear a matriarca da família. Pedro e Laura, assim como o pequeno Ulisses, estavam "nos trinques", mas Pedrinho admirou a elegância de Mamãe Sal, que vestia um "tailleur" bem cortado que lhe caiu muito bem. E é claro que meu neto mais velho externou um comentário que nos fez dar uma boa gargalhada. Ele virou-se para a mãe e disse:
- Mamãe, você está muito bonita com essa roupa, parece uma secretária!
Essa observação já bastaria para nossa alegria, especialmente a de Sal, mas o menino voltou à carga:
- Você deve ir assim a suas entrevistas de emprego.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

(off) Lições de Pedrinho



Meu neto Pedro - agora, com Ulisses na família, já não posso usar o nome do primeirão num aposto - é um menino antenado com as questões do momento e por duas vezes pudemos atestar esse fato nesta semana. Começou quando o Tio Caio veio aqui, na segunda-feira, e deteve-se a brincar com o sobrinho quando este veio tomar sua vitamina vespertina, junto com Laurinha. Então Caio abraçou-o e começou a dizer o quanto gostava dele, recordando o sentimento geral na ocasião em que Pedro veio ao mundo, por ter sido muito aguardado. Foi então que meu garoto desabafou:
- Mas depois veio Laura e tomou o protagonismo!...

***

A segunda lição aconteceu dois dias depois da visita de Caio, quando Mamãe Sal contou a seus filhos que os levaria para visitar a Campus Party, a grande feira de informática realizada pela primeira vez em Salvador. Talvez Sal pensasse que a proverbial distração de Pedro ainda estivesse "valendo" e por isso perguntou:
- Você vai gostar de conhecer uma coisa que só fala de informática:
Para sua surpresa e graça, que repartiu conosco, Pedrinho, às vésperas de completar seu nono aniversário, saiu-se com esta:
- Claro, Mamãe! Qualquer menino de minha idade gosta de informática!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

(off) Balé aleatório



Laurinha voltou injuriada de sua última aula de balé, na escola, segundo o Dindo Caio contou a este avô. A menina desceu do carro chorosa, com cara de poucos amigos e foi assim que meu filho a encontrou, ao chegar na casa de Sal, onde almoçou, na companhia da irmã e das crianças - Ulisses já havia partido para Stella Maris com a Vovó Lea. Mas Caio quis saber o que chateava sua afilhada e Laura desabafou, reclamando de uma coleguinha do balé, onde ensaiam uma apresentação:
- Ela já era a Fada Madrinha e agora quer ser também a Cinderela!
Caio, que tem no currículo alguma experiência cênica, tentou apaziguar a raiva naquele coraçãozinho confrangido dizendo-lhe que no teatro era assim mesmo, que a coleguinha ficaria marcada só pela personagem escolhida enquanto Laura poderia ter vários papéis à disposição, no futuro. Minha neta pareceu acalmar-se e então seu Dindo lhe perguntou:
- Qual foi o papel que lhe deram?
E Caio riu quando Laurinha respondeu:
- Uma personagem aleatória que faz "assim" e aponta o dedo para ninguém!

domingo, 23 de julho de 2017

(off) Barganha


Parei, um pouco, de registrar aqui as tiradas de Pedro e Laura porque em verdade meus netos mais velhos, já chegando ao fim da primeira infância, têm deixado pouco espaço para a alma se manifestar, agora que a mente racional começa a tomar o controle da situação. Resultado: pouco tenho gargalhado ultimamente. Mas na sexta-feira que passou eu pude me divertir um pouquinho com Laura e vou contar como foi. Primeiramente, devo dizer que a duplinha continua alimentando muita fantasia naquelas cabecinhas, porque não desgrudam da TV, e são fascinados pela tecnologia dos videogames, de modo que não perdem uma chance de explorar joguinhos no celular ou no computador, o que só lhes é permitido nos fins de semana. Assim, Laurinha, estando aqui em casa com Pedro, cansada de apreciar os desenhos animados, vem ao meu novo escritório fazer-me uma proposta:
- Vovô, posso ficar com seu celular?
Finjo ser durão e não cedo de imediato, antes negociando a cessão do aparelho:
- Se você me der duas justificativas sérias e convincentes eu posso pensar em seu caso.
E minha neta se esforça oferecendo-me uma desculpa plausível para obter o objeto de seu desejo, mas as outras eu recuso peremptoriamente e insisto que seja uma justificativa sensata. A menina, então, me sai com esta:
- Ah, é porque eu te amo?
E o celular mudou de mãos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

(off) Acidente


No afã das brincadeiras com o primo, Ulisses, Laurinha grita um "ai!" lá na sala e daqui de meu novo escritório eu escuto a lamentação chorosa; mas é a Vovó Bia quem vai observar o acontecido. Não demora muito e minha neta vem até mim, com seu priminho na dianteira. Laura, no entanto, não se queixa, talvez esperando que eu a interrogue para só então desabafar:
- Ulisses bateu a cabeça dele na minha boca.
Abraçando-a, pergunto, sabedor do grau de ciúme que ela manifesta em relação ao primo:
- Foi porque ele quis?
Assim, a resposta já era a esperada:
- Eu acho que foi!

domingo, 9 de julho de 2017

(off) Peripécias de Ulisses



Meu netinho, o terceiro, primo de Pupu e Aiaia - e não é que o menininho assimilou a antiga linguagem de Laurinha? - passou um dia e uma noite na casa dos avós Gustavo e Lea, que morriam de saudade desse molequinho, que voltou com um dos joelhos esfolado e coberto com um bandeide. Ananda, sua mãe, passou a interrogá-lo e Ulisses, que ainda não fala com perfeição, embora já pronuncie frases curtas, topou o diálogo:
- O que foi isso em seu joelho?
- Bobô?
- O que foi que vovô fez?
- Boia!
- Vovô estava jogando bola com você e você se feriu?
- 'ando boia.
Pronto, a história já sabemos de cor.
Dias antes dessa viagem a Stela Maris, onde moram os avós Gustavo e Lea, Ulisses se divertia com os primos Pupu e Aiaia no quarto da Tia Sal, onde fica o aparelho de TV, ligado no canal dos desenhos infantis que meu neto mais novo adora assistir. Mas ouvindo uma algazarra pouco habitual, Sal vai até o quarto e ralha com o sobrinho:
- Ulisses, pare com essa bagunça, pelo amor de Deus!
O menino para o que estava fazendo, olha para a tia e pergunta, meio que repetindo a frase ouvida:
- De Deus?

sexta-feira, 3 de março de 2017

(off) Segredo

A imagem pode conter: 1 pessoa

O carnaval de Pedro e Laura acabou hoje, quando o Papai Alexandre os trouxe para casa depois de uma ausência de quase uma semana. Estão aqui comigo e com a Vovó Bia, enquanto a Mamãe Sal se despede de sua majestade o rei Motorola. Adormeceram ainda há pouco, a contragosto. Antes de pregar os olhos, Pedrinho me vem com esta:
- Vovô, eu tenho um segredo para lhe contar, mas acho que você já sabe.
Abandono o texto que escrevia no computador e vou até ele, deitado no sofá-cama:
- Qual é o segredo?
- Eu só durmo com música de ninar.
Então me ofereço para auxiliar, seu sono entoando parte do repertório usado para acalentar os netos, desde o mesmo Pedro até Ulisses, lembrando das canções de Passoca, Chico Buarque e Palavra Cantada. E ele dormiu rapidinho.. .

(off) Reflexões à mesa



Ontem eu precisei vir à casa da Mamãe Sal à hora do jantar e aproveitei para trazer a vitamina noturna dos meninos - Pedro e Laura. Encontrei-os devorando um belo prato de sopa. Sentei-me junto a eles e, enquanto me distraía com um joguinho no computador, procurava prestar atenção principalmente em Pedrinho, que está atravessando uma fase de relativamente aguda sensibilidade. Não tive que esperar muito até que ele manifestasse um pouco de suas incertezas, motivadas tanto pelo que observa em torno de si quanto pelo que anda a matutar. Foi Sal quem primeiro notou o olhar diferente do menino e perguntou-lhe:
- O que foi?
E enquanto comia sua sopa, com a voz meio embargada Pedro desabafou suas inquietações pré-adolescentes:
- Eu estou preocupado: quando eu crescer, será que vou tomar decisões erradas?
Ficamos compadecidos, Sal e eu, e procuramos consolá-lo dizendo que todo mundo toma decisões erradas na vida e isso faz parte das experiências de crescimento. Mas meu neto tinha o peito angustiado e entre lágrimas questionou:
- E se eu morrer?
Como se percebe, temos em casa um futuro aprendiz das verdades da vida, alguém que talvez vá dar muito trabalho aos evangelizadores com as dúvidas que já começam a despontar em sua cabecinha - e isso é muito bom!
Pois bem, após o último desabafo, misto de medo e apego, de Pedrinho, Sal e eu nos esforçamos para demovê-lo daquele estado, dizendo que todos morreremos um dia e que a morte não é o fim, após o que nosso menino, abraçado a sua mãe, deixou escapar mais um pouco de seu sentimento:
- Então eu quero morrer com todos vocês!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

(off) Sensibilidade

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, selfie e close-up

Pedrinho e Laura estão aqui fazendo a lição de casa. Fico à disposição deles para qualquer exigência e eis que Pedro vem me interrogar sobre uma dúvida relacionada com uma história de seu livro de Língua Portuguesa. O exercício consistia em interpretar a intenção do autor ao cunhar a expressão "Isto também vai passar", constante do texto. Tentei explicar o sentido da frase e até dei alguns exemplos, após o que deixei meu neto com sua incumbência. Mas mal terminei de dar minha colaboração, notei os olhos do menino marejados e até agora não sei o que lhe passou na alma, ao me ouvir dizer que, assim como as coisas más, também os bons acontecimentos desta vida são igualmente passageiros...

(off) Pé de quê?

A imagem pode conter: 3 pessoas
Laurinha aqui aparece junto ao Dindo Caio e a este Avô coruja.

Não, o título não aponta para antigo programa de TV apresentado pela atriz Regina Casé, referindo-se somente a uma das últimas idas de Pedro e Laurinha a uma consulta médica. Na clínica, segundo nos contou depois Mamãe Sal, a pediatra quis saber dos hábitos alimentares dos meninos e minha filha relacionou também a vitamina que sirvo a meus netos de duas a três vezes por dia, constituindo-se assim uma das principais refeições que eles fazem. A médica, contudo, quis ser informada quanto aos ingredientes que uso no preparo e, segundo Sal, quando a distinta profissional soube que incluo ovomaltine franziu o cenho e recomendou evitar esse produto, sob o argumento de que "ninguém nunca viu um pé de ovomaltine". Desde esse dia, Laurinha tem feito ressalvas à vitamina...

(off) Coisa de criança

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Ulisses ficou entusiasmado quando descobriu que a boneca Baby Alive que Laurinha deixou aqui em casa para servir de modelo para as artes da Vovó Bia sabe falar. Assim, toda vez que está conosco e topa com a boneca, meu netinho dispõe-se a interagir com ela, repetindo alguns vocábulos, mesmo que não pronuncie quase nenhuma palavra ainda, e se tem um biscoito nas mãos, tenta por um pedaço na boca da boneca somente porque ela acusa: "estou com fome, mamãe". Observando, eu apenas acho graça.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

(off) Por enquanto...

Agora é só faz de conta, mas depois ela poderá escrever sentenças, receitas, peças teatrais, roteiros cinematográficos, artigos literários, técnicos ou científicos, poderá desenhar plantas... tudo sob a inspiração da ordem e do progresso.


(off) Recomeço: rumo ao infinito

Pedro e Laura retornaram às aulas nesta terça-feira e estavam lindos dentro da farda cuidada com carinho por Mamãe Sal. Assim, quando chegaram aqui em casa nesta manhã, antes de lhes dar os respectivos copos com vitamina tratei de fotografá-los, para a posteridade. Mas anteontem, quando chegou após o fim de semana passado em companhia do Papai Alexandre, Pedrinho ficou esfuziante ao ver os novos livros escolares. Passou em revista cada um deles e depois veio me perguntar:
- Vovô, adivinhe qual é minha matéria favorita.
Pretendendo altos voos intelectivos para ele, fui pitagórico em minha resposta:
- Matemática.
No entanto, meu neto abriu os braços e falou, loquaz:
- Todas!
Nisso, Laurinha se aproxima e antes que eu faça qualquer indagação a menina me diz:
- Você já adivinhou a minha: matemática.

domingo, 29 de janeiro de 2017

(off) Lembranças de Praia do Forte



Contei aqui o mau comportamento de Pedro quando de sua última passagem pelo antigo feudo de Garcia D'Ávila. Pois minha filha Sal, mãe dele e de Laura, relatou que nesta semana, no caminho para Massarandupió, passaram por Praia do Forte a fim de alimentar as crianças. Mas quando Pedrinho reconheceu onde estava, esboçou este lamento:
- Ai, eu tenho péssimas recordações deste lugar.

(off) Nome estranho


Sintonizo a TV no canal 2 nesta manhã de sábado, no momento em que a TVE iniciava a exibição do desenho brasileiro "Guilhermina e Candelário". Fiz isso porque Pedro, que havia dormido aqui em casa, junto com Laura, já acordara e manifestou descontentamento ante o programa que eu via. Em certo momento, o avô das crianças, no desenho, dirige-se a Candelário nominando-o, o que provoca o estranhamento de Pedrinho, que indaga, para nossa gargalhada:
- O nome dele é Calendário?


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

(off) Filho único

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé, oceano, céu, atividades ao ar livre, natureza e água

Pedrinho vive nos surpreendendo. Um acordo feito entre seus pais - Sal e Alexandre - no ano passado previa que ele e Laura passariam este mês de janeiro inteiro na companhia paterna. Laurinha estava ansiosa por esse momento, tanto que no final da manhã do dia 2 ela me recepcionou com estas palavras, logo que cheguei à casa deles:
- Você acredita que Papai ainda não veio nos buscar?
Mas Alexandre chegaria pouco tempo depois e era atordoante a disparidade de sentimentos entre os dois irmãos. Estavam aqui em casa na ocasião e Laura desceu depressa pelas escadas do prédio; Pedro, entretanto, lacrimejava, contrafeito, justificando a saudade antecipada que sentia da mãe. Mas entrou no carro do pai e foi. À noite, porém, o telefone toca aqui em casa e ouço a voz chorosa do garoto:
- Vovô, estou com muita saudade, eu quero voltar!...
Acalentei-o dizendo que seu pai o traria pela manhã, mas no dia seguinte Mamãe Sal me contou que naquela mesma noite o menino telefonou para ela, contando a mesma história da saudade e Sal também tentou consolá-lo dizendo que pela manhã ele poderia voltar, mas Pedro retrucou:
- Na verdade, eu já estou aqui, na porta do prédio.
Era o fim de uma estranha novela que meu neto protagonizou e não adiantou Laurinha tentar convencê-lo, mais tarde, pretextando os brinquedos de que ele gosta. Depois, interrogando-o, quisemos saber o motivo que o fez dispensar o mês de passeios e divertimentos que ele teria junto do pai e da irmã e Pedrinho saiu-se com esta:
- Eu queria me sentir o filho único!...

(off) Ulisses

Fundo, o buraco é fundo,
acabou-se o mundo,
eu não sou Raimundo 
e não vou pra lá.

Pegando ponga no comercial de Carlito Marrom...
Eu recito esses versos toda vez que Ulisses, meu netinho de um ano e meio, manifesta a vontade de olhar pelo vão de ventilação do prédio onde moro. Ele sente prazer nisso como quando vamos juntos investigar a presença dos bichos da vizinhança: cachorros, gatos, pombos, passarinhos, ficando encantado quando o deixo aproximar-se desses animais, tanto que, ensinado por Laura, o menininho aprendeu a tanger os pombos, gritando "iáááá". Mas ele é também um precioso auxiliar em certas atividades que realizo em casa. Na hora de fazer a vitamina dos primos - Ulisses ainda não se dignou provar o alimento preferido de Pedro e Laura -, é ele quem se ocupa dos canudos, Outra coisa que ele adora fazer é ajudar-me a calçar ou descalçar os sapatos, guardando-os perfeitamente no lugar onde ficam os calçados. Mas há algo de que ele não gosta: de voltar pra casa após um dia inteiro aqui comigo...