sexta-feira, 11 de agosto de 2017

(off) Lições de Pedrinho



Meu neto Pedro - agora, com Ulisses na família, já não posso usar o nome do primeirão num aposto - é um menino antenado com as questões do momento e por duas vezes pudemos atestar esse fato nesta semana. Começou quando o Tio Caio veio aqui, na segunda-feira, e deteve-se a brincar com o sobrinho quando este veio tomar sua vitamina vespertina, junto com Laurinha. Então Caio abraçou-o e começou a dizer o quanto gostava dele, recordando o sentimento geral na ocasião em que Pedro veio ao mundo, por ter sido muito aguardado. Foi então que meu garoto desabafou:
- Mas depois veio Laura e tomou o protagonismo!...

***

A segunda lição aconteceu dois dias depois da visita de Caio, quando Mamãe Sal contou a seus filhos que os levaria para visitar a Campus Party, a grande feira de informática realizada pela primeira vez em Salvador. Talvez Sal pensasse que a proverbial distração de Pedro ainda estivesse "valendo" e por isso perguntou:
- Você vai gostar de conhecer uma coisa que só fala de informática:
Para sua surpresa e graça, que repartiu conosco, Pedrinho, às vésperas de completar seu nono aniversário, saiu-se com esta:
- Claro, Mamãe! Qualquer menino de minha idade gosta de informática!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

(off) Balé aleatório



Laurinha voltou injuriada de sua última aula de balé, na escola, segundo o Dindo Caio contou a este avô. A menina desceu do carro chorosa, com cara de poucos amigos e foi assim que meu filho a encontrou, ao chegar na casa de Sal, onde almoçou, na companhia da irmã e das crianças - Ulisses já havia partido para Stella Maris com a Vovó Lea. Mas Caio quis saber o que chateava sua afilhada e Laura desabafou, reclamando de uma coleguinha do balé, onde ensaiam uma apresentação:
- Ela já era a Fada Madrinha e agora quer ser também a Cinderela!
Caio, que tem no currículo alguma experiência cênica, tentou apaziguar a raiva naquele coraçãozinho confrangido dizendo-lhe que no teatro era assim mesmo, que a coleguinha ficaria marcada só pela personagem escolhida enquanto Laura poderia ter vários papéis à disposição, no futuro. Minha neta pareceu acalmar-se e então seu Dindo lhe perguntou:
- Qual foi o papel que lhe deram?
E Caio riu quando Laurinha respondeu:
- Uma personagem aleatória que faz "assim" e aponta o dedo para ninguém!

domingo, 23 de julho de 2017

(off) Barganha



Parei, um pouco, de registrar aqui as tiradas de Pedro e Laura porque em verdade meus netos mais velhos, já chegando ao fim da primeira infância, têm deixado pouco espaço para a alma se manifestar, agora que a mente racional começa a tomar o controle da situação. Resultado: pouco tenho gargalhado ultimamente. Mas na sexta-feira que passou eu pude me divertir um pouquinho com Laura e vou contar como foi. Primeiramente, devo dizer que a duplinha continua alimentando muita fantasia naquelas cabecinhas, porque não desgrudam da TV, e são fascinados pela tecnologia dos videogames, de modo que não perdem uma chance de explorar joguinhos no celular ou no computador, o que só lhes é permitido nos fins de semana. Assim, Laurinha, estando aqui em casa com Pedro, cansada de apreciar os desenhos animados, vem ao meu novo escritório fazer-me uma proposta:
- Vovô, posso ficar com seu celular?
Finjo ser durão e não cedo de imediato, antes negociando a cessão do aparelho:
- Se você me der duas justificativas sérias e convincentes eu posso pensar em seu caso.
E minha neta se esforça oferecendo-me uma desculpa plausível para obter o objeto de seu desejo, mas as outras eu recuso peremptoriamente e insisto que seja uma justificativa sensata. A menina, então, me sai com esta:
- Ah, é porque eu te amo?
E o celular mudou de mãos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

(off) Acidente



No afã das brincadeiras com o primo, Ulisses, Laurinha grita um "ai!" lá na sala e daqui de meu novo escritório eu escuto a lamentação chorosa; mas é a Vovó Bia quem vai observar o acontecido. Não demora muito e minha neta vem até mim, com seu priminho na dianteira. Laura, no entanto, não se queixa, talvez esperando que eu a interrogue para só então desabafar:
- Ulisses bateu a cabeça dele na minha boca.
Abraçando-a, pergunto, sabedor do grau de ciúme que ela manifesta em relação ao primo:
- Foi porque ele quis?
Assim, a resposta já era a esperada:
- Eu acho que foi!

domingo, 9 de julho de 2017

(off) Peripécias de Ulisses



Meu netinho, o terceiro, primo de Pupu e Aiaia - e não é que o menininho assimilou a antiga linguagem de Laurinha? - passou um dia e uma noite na casa dos avós Gustavo e Lea, que morriam de saudade desse molequinho, que voltou com um dos joelhos esfolado e coberto com um bandeide. Ananda, sua mãe, passou a interrogá-lo e Ulisses, que ainda não fala com perfeição, embora já pronuncie frases curtas, topou o diálogo:
- O que foi isso em seu joelho?
- Bobô?
- O que foi que vovô fez?
- Boia!
- Vovô estava jogando bola com você e você se feriu?
- 'ando boia.
Pronto, a história já sabemos de cor.
Dias antes dessa viagem a Stela Maris, onde moram os avós Gustavo e Lea, Ulisses se divertia com os primos Pupu e Aiaia no quarto da Tia Sal, onde fica o aparelho de TV, ligado no canal dos desenhos infantis que meu neto mais novo adora assistir. Mas ouvindo uma algazarra pouco habitual, Sal vai até o quarto e ralha com o sobrinho:
- Ulisses, pare com essa bagunça, pelo amor de Deus!
O menino para o que estava fazendo, olha para a tia e pergunta, meio que repetindo a frase ouvida:
- De Deus?

sexta-feira, 3 de março de 2017

(off) Segredo

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O carnaval de Pedro e Laura acabou hoje, quando o Papai Alexandre os trouxe para casa depois de uma ausência de quase uma semana. Estão aqui comigo e com a Vovó Bia, enquanto a Mamãe Sal se despede de sua majestade o rei Motorola. Adormeceram ainda há pouco, a contragosto. Antes de pregar os olhos, Pedrinho me vem com esta:
- Vovô, eu tenho um segredo para lhe contar, mas acho que você já sabe.
Abandono o texto que escrevia no computador e vou até ele, deitado no sofá-cama:
- Qual é o segredo?
- Eu só durmo com música de ninar.
Então me ofereço para auxiliar, seu sono entoando parte do repertório usado para acalentar os netos, desde o mesmo Pedro até Ulisses, lembrando das canções de Passoca, Chico Buarque e Palavra Cantada. E ele dormiu rapidinho.. .

(off) Reflexões à mesa



Ontem eu precisei vir à casa da Mamãe Sal à hora do jantar e aproveitei para trazer a vitamina noturna dos meninos - Pedro e Laura. Encontrei-os devorando um belo prato de sopa. Sentei-me junto a eles e, enquanto me distraía com um joguinho no computador, procurava prestar atenção principalmente em Pedrinho, que está atravessando uma fase de relativamente aguda sensibilidade. Não tive que esperar muito até que ele manifestasse um pouco de suas incertezas, motivadas tanto pelo que observa em torno de si quanto pelo que anda a matutar. Foi Sal quem primeiro notou o olhar diferente do menino e perguntou-lhe:
- O que foi?
E enquanto comia sua sopa, com a voz meio embargada Pedro desabafou suas inquietações pré-adolescentes:
- Eu estou preocupado: quando eu crescer, será que vou tomar decisões erradas?
Ficamos compadecidos, Sal e eu, e procuramos consolá-lo dizendo que todo mundo toma decisões erradas na vida e isso faz parte das experiências de crescimento. Mas meu neto tinha o peito angustiado e entre lágrimas questionou:
- E se eu morrer?
Como se percebe, temos em casa um futuro aprendiz das verdades da vida, alguém que talvez vá dar muito trabalho aos evangelizadores com as dúvidas que já começam a despontar em sua cabecinha - e isso é muito bom!
Pois bem, após o último desabafo, misto de medo e apego, de Pedrinho, Sal e eu nos esforçamos para demovê-lo daquele estado, dizendo que todos morreremos um dia e que a morte não é o fim, após o que nosso menino, abraçado a sua mãe, deixou escapar mais um pouco de seu sentimento:
- Então eu quero morrer com todos vocês!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

(off) Sensibilidade

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Pedrinho e Laura estão aqui fazendo a lição de casa. Fico à disposição deles para qualquer exigência e eis que Pedro vem me interrogar sobre uma dúvida relacionada com uma história de seu livro de Língua Portuguesa. O exercício consistia em interpretar a intenção do autor ao cunhar a expressão "Isto também vai passar", constante do texto. Tentei explicar o sentido da frase e até dei alguns exemplos, após o que deixei meu neto com sua incumbência. Mas mal terminei de dar minha colaboração, notei os olhos do menino marejados e até agora não sei o que lhe passou na alma, ao me ouvir dizer que, assim como as coisas más, também os bons acontecimentos desta vida são igualmente passageiros...

(off) Pé de quê?

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Laurinha aqui aparece junto ao Dindo Caio e a este Avô coruja.

Não, o título não aponta para antigo programa de TV apresentado pela atriz Regina Casé, referindo-se somente a uma das últimas idas de Pedro e Laurinha a uma consulta médica. Na clínica, segundo nos contou depois Mamãe Sal, a pediatra quis saber dos hábitos alimentares dos meninos e minha filha relacionou também a vitamina que sirvo a meus netos de duas a três vezes por dia, constituindo-se assim uma das principais refeições que eles fazem. A médica, contudo, quis ser informada quanto aos ingredientes que uso no preparo e, segundo Sal, quando a distinta profissional soube que incluo ovomaltine franziu o cenho e recomendou evitar esse produto, sob o argumento de que "ninguém nunca viu um pé de ovomaltine". Desde esse dia, Laurinha tem feito ressalvas à vitamina...

(off) Coisa de criança

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Ulisses ficou entusiasmado quando descobriu que a boneca Baby Alive que Laurinha deixou aqui em casa para servir de modelo para as artes da Vovó Bia sabe falar. Assim, toda vez que está conosco e topa com a boneca, meu netinho dispõe-se a interagir com ela, repetindo alguns vocábulos, mesmo que não pronuncie quase nenhuma palavra ainda, e se tem um biscoito nas mãos, tenta por um pedaço na boca da boneca somente porque ela acusa: "estou com fome, mamãe". Observando, eu apenas acho graça.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

(off) Por enquanto...

Agora é só faz de conta, mas depois ela poderá escrever sentenças, receitas, peças teatrais, roteiros cinematográficos, artigos literários, técnicos ou científicos, poderá desenhar plantas... tudo sob a inspiração da ordem e do progresso.


(off) Recomeço: rumo ao infinito

Pedro e Laura retornaram às aulas nesta terça-feira e estavam lindos dentro da farda cuidada com carinho por Mamãe Sal. Assim, quando chegaram aqui em casa nesta manhã, antes de lhes dar os respectivos copos com vitamina tratei de fotografá-los, para a posteridade. Mas anteontem, quando chegou após o fim de semana passado em companhia do Papai Alexandre, Pedrinho ficou esfuziante ao ver os novos livros escolares. Passou em revista cada um deles e depois veio me perguntar:
- Vovô, adivinhe qual é minha matéria favorita.
Pretendendo altos voos intelectivos para ele, fui pitagórico em minha resposta:
- Matemática.
No entanto, meu neto abriu os braços e falou, loquaz:
- Todas!
Nisso, Laurinha se aproxima e antes que eu faça qualquer indagação a menina me diz:
- Você já adivinhou a minha: matemática.

domingo, 29 de janeiro de 2017

(off) Lembranças de Praia do Forte



Contei aqui o mau comportamento de Pedro quando de sua última passagem pelo antigo feudo de Garcia D'Ávila. Pois minha filha Sal, mãe dele e de Laura, relatou que nesta semana, no caminho para Massarandupió, passaram por Praia do Forte a fim de alimentar as crianças. Mas quando Pedrinho reconheceu onde estava, esboçou este lamento:
- Ai, eu tenho péssimas recordações deste lugar.

(off) Nome estranho


Sintonizo a TV no canal 2 nesta manhã de sábado, no momento em que a TVE iniciava a exibição do desenho brasileiro "Guilhermina e Candelário". Fiz isso porque Pedro, que havia dormido aqui em casa, junto com Laura, já acordara e manifestou descontentamento ante o programa que eu via. Em certo momento, o avô das crianças, no desenho, dirige-se a Candelário nominando-o, o que provoca o estranhamento de Pedrinho, que indaga, para nossa gargalhada:
- O nome dele é Calendário?


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

(off) Filho único

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Pedrinho vive nos surpreendendo. Um acordo feito entre seus pais - Sal e Alexandre - no ano passado previa que ele e Laura passariam este mês de janeiro inteiro na companhia paterna. Laurinha estava ansiosa por esse momento, tanto que no final da manhã do dia 2 ela me recepcionou com estas palavras, logo que cheguei à casa deles:
- Você acredita que Papai ainda não veio nos buscar?
Mas Alexandre chegaria pouco tempo depois e era atordoante a disparidade de sentimentos entre os dois irmãos. Estavam aqui em casa na ocasião e Laura desceu depressa pelas escadas do prédio; Pedro, entretanto, lacrimejava, contrafeito, justificando a saudade antecipada que sentia da mãe. Mas entrou no carro do pai e foi. À noite, porém, o telefone toca aqui em casa e ouço a voz chorosa do garoto:
- Vovô, estou com muita saudade, eu quero voltar!...
Acalentei-o dizendo que seu pai o traria pela manhã, mas no dia seguinte Mamãe Sal me contou que naquela mesma noite o menino telefonou para ela, contando a mesma história da saudade e Sal também tentou consolá-lo dizendo que pela manhã ele poderia voltar, mas Pedro retrucou:
- Na verdade, eu já estou aqui, na porta do prédio.
Era o fim de uma estranha novela que meu neto protagonizou e não adiantou Laurinha tentar convencê-lo, mais tarde, pretextando os brinquedos de que ele gosta. Depois, interrogando-o, quisemos saber o motivo que o fez dispensar o mês de passeios e divertimentos que ele teria junto do pai e da irmã e Pedrinho saiu-se com esta:
- Eu queria me sentir o filho único!...

(off) Ulisses

Fundo, o buraco é fundo,
acabou-se o mundo,
eu não sou Raimundo 
e não vou pra lá.

Pegando ponga no comercial de Carlito Marrom...
Eu recito esses versos toda vez que Ulisses, meu netinho de um ano e meio, manifesta a vontade de olhar pelo vão de ventilação do prédio onde moro. Ele sente prazer nisso como quando vamos juntos investigar a presença dos bichos da vizinhança: cachorros, gatos, pombos, passarinhos, ficando encantado quando o deixo aproximar-se desses animais, tanto que, ensinado por Laura, o menininho aprendeu a tanger os pombos, gritando "iáááá". Mas ele é também um precioso auxiliar em certas atividades que realizo em casa. Na hora de fazer a vitamina dos primos - Ulisses ainda não se dignou provar o alimento preferido de Pedro e Laura -, é ele quem se ocupa dos canudos, Outra coisa que ele adora fazer é ajudar-me a calçar ou descalçar os sapatos, guardando-os perfeitamente no lugar onde ficam os calçados. Mas há algo de que ele não gosta: de voltar pra casa após um dia inteiro aqui comigo...