segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

(off) De onde?



Ontem, enquanto pajeava Pedro e Laura, entretive-me com uma revistinha de passatempos e, sob o olhar da menina, resolvi um certo enigma, o que a fez perguntar, admirada:
- De onde você é?
Muito naturalmente, respondi "daqui mesmo", mas não era o que Laurinha queria ouvir e por isso ela voltou à carga:
- Não, de que país você vem pra ser tão inteligente!
Eu ri gostosamente...


(off) Lembranças inventadas?

Já contei aqui que Laurinha manifestou, aos dois anos de idade, a lembrança de uma vida passada, quando então eu fui filho dela. De vez em quando ela retoma o assunto e agora já incluiu a Vovó Bia entre os rebentos que teve naquela ocasião de seu passado remoto. Pois ontem a Mamãe Sal confidenciou a este avô que a menina, não faz muito tempo, revelou sentir saudade daquele tempo, declarando que eu uma vez lhe falei assim:
- Mamãe, na "outra vida" eu posso ser seu avô?
Eu ri, vendo nisso uma grande dose de pilhéria por parte de minha netinha afeita às coisas do espírito...


(off) Nota 10

Esta manhã nós felicitamos Laurinha - sim, ela retornou ontem para casa, trazida por tia Carol, embora contra sua vontade, pois a menina queria permanecer em Teodoro Sampaio. E a felicitamos por seu comportamento na Casa de Oração Bezerra de Menezes, durante a palestra que fui convidado a realizar antecedendo o lançamento de meus livro O Chamado e Lições do Evangelho para a Vida Prática. Toda a família estava lá prestigiando este avô. Durante os 45 minutos da falação, minha netinha mostrou-se colaborativa, atenta às recomendações que os adultos lhe fizeram, e só no final ela subiu ao tablado para me abraçar. Essa menininha está crescendo... E esta tarde, quando ela e Pedrinho foram deixados comigo, enquanto seus pais e Vovó Bia foram resolver não sei que problema no shopping, Laura veio me pedir água. Esperando o filtro encher o copo, ela me faz uma proposta:
- Vovô, abaixa!
Agacho-me junto a ela e ganho um beijo no rosto, que retribuo sensibilizado. Sorrindo, a menina se afasta e comenta, provocando-me risos:
- Todo mundo cuida de mim!...


sábado, 27 de dezembro de 2014

(off) O magrelinho e sua "magrela"

De volta a casa depois de breve temporada natalina em Feira de Santana, com direito a uma esticada até a cidade de Teodoro Sampaio, Pedrinho veio só, com o Papai Alexandre e a Mamãe Sal. Mas cadê Laurinha? Ficou por lá. Surpreendentemente, a menina não quis vir para Salvador, preferindo demorar-se mais um pouco na casa da tia Mila, em Teodoro; ela só retornará neste sábado, de carona com a tia/prima Carol. Mas Pedrinho trouxe algo mais: a bicicleta que, disse ele, um tal Noel lhe deu no Natal. Oxalá não conheçamos tão cedo os efeitos que a relação menino-bicicleta costuma provocar em braços, pernas e cabeça...


(off) Menino presente

Esta tarde, conversando com a Dinda Ananda Muniz e o dindo Gabriel Morais, ouvi deles que há pouco tempo eles ouviram Pedro dizer que seria um menino colaborativo quando "Júpiter", meu terceiro neto, filho do citado casal, nascesse, ajudando sua madrinha no que fosse necessário para que o priminho estivesse sempre confortável. No entanto... não muito tempo depois de ouvir essa promessa, Pedrinho, solicitado por Ananda para algo específico, fizera uma negativa, tendo que ouvir a indispensável recriminação da Dinda:
- Você não disse que seria um primo presente no cuidado de "Júpiter"?
Mas articulado como ele só, Pedro encontrou uma via de escape, dando esta explicação:
- Eu fico ausente mesmo!


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

(off) Fazendês

Pedro e Laura estão, desde ontem, em Feira de Santana, onde passarão o Natal e parte de suas férias escolares junto a vovó Mara, tios e primos, além da proximidade da Bisa Margarida, que mora na mesma rua. Já estamos - Vovó Bia e eu - com saudades, mas recordando os causos que nos fazem rir bastante com essa duplinha, como o que Pedrinho protagonizou anteontem, quando inventou de falar "fazendês". Foi assim que ele batizou o jeito de imitar a fala e o sotaque caipira, arrastando os erres num vocabulário próprio da roça. Ao ouvir, numa das tantas saídas para o shopping, seu filho pronunciar-se assim pela primeira vez, espontaneamente, o Papai Alexangre gargalhou gostosamente. Quanto a nós, tivemos que nos contentar com as solicitações que lhe fizemos, a fim de constatarmos o "estado da arte" desse tal "fazendês"...


(off) Besteirinhas de Laura

Ontem à noite, antes de subir para sua casa a fim de abandonar-se ao sono reparador, junto com o irmão e seus pais, Laurinha entretinha-se aqui com Mamãe Sal separando papéis e embrulhando os presentinhos que ficarão aos pés da árvore colorida, enfeitada e feericamente iluminada com que as pessoas pensam comemorar o Natal. A certa altura, Sal comenta que determinado pacote será destinado a sua melhor amiga. Laura, contente e espevitada, questiona:
- Sou eu, né?
Mas Sal devolve o questionamento certamente pensando nas malcriações da menina:
- Será você mesmo?
Nesse momento, Laura parece fazer uma breve reflexão e emite o resultado de seus pensamentos:
- É, não sou tão amiga, porque às vezes eu faço umas besteiras, né?


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Júpiter"

Hoje de manhã Dinda foi ao médico fazer um exame e o médico disse a ela que o bebê que ela está esperando é um menino. Todo mundo aqui ficou feliz, principalmente eu, que sabia disso desde o início, tanto que "batizei" ele de Júpiter. Nosso priminho - meu e de Laura - vem nos fazer companhia e tenho certeza de que vamos brincar muito juntos. E Vovô Chico já preparou o espaço de Júpiter aqui no blog. Eu estou chamando ele de Júpiter, mas o nome verdadeiro dele vai ser Ulisses, porque dindo Gabriel, que é o pai dele, quer assim. Vejam aí a segunda fotografia que o médico tirou dele:




(off) Alvíssaras!

Confirmado: meu novo netinho, o terceiro, será mesmo um menino, como esperávamos. Minha filha Ananda Muniz fez esta manhã a ultrassonografia que constatou o sexo do bebê. Em razão disso, o apelido que Pedrinho colocou em seu priminho reencarnante - "Júpiter" - continua valendo, agora com mais sentido. Ao saber da novidade, Laurinha foi buscar entender-se com Mamãe Sal:
- Mamãe, o médico sabe de tudo, não é?
Sal não ignorou a intenção da menina, mas deu corda?
- Por quê?
E Laura então revela o que lhe passava pela cabecinha:
- Porque foi um médico que falou que o bebê de Kika é menino!


(off) Lanche

Pedro e Laura fizeram sua merenda ainda há pouco e agora guardam a hora do almoço (Mamãe Sal já se esmera na cozinha). Mas enquanto comiam seu lanche, um deles perguntou-me - ou pensei ter escutado a proposta? - se eu queria suco e então resolvi brincar com eles, utilizando um neologismo:
- Eu quero suco de LAURAnja!
Laurinha compreendeu a expressão e disparou:
- Eu vou ter que entrar no liquidificador?


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

(off) O Natal do Gary

Num desses dias, contou-me a Mamãe Sal, Laurinha veio do quarto para a sala aos prantos.
- Que foi, menina?, quis saber a preocupação materna.
- Estou muito triste - disse a menina.
- Por quê?
- O Gary sumiu.
Laurinha se referia a um episódio do desenho animado Bob Esponja Calça Quadrada no qual o caracol de estimação desse Bob sai a passear pela cidade e por isso o sumiço. Vale ressaltar que esse episódio se repete toda semana e a toda vez Laurinha manifesta sua tristeza.
Mas o que quero flar, na verdade, é que hoje, ao descer para colocar o lixo lá fora, dei com um bilhetinho afixado na parede do hall de enrada do prédio com estes dizeres: "Não esquece (sic) o Natal do Gary". Quem é Gary?, pensei, mas logo me caiu a ficha, ao observar o caminhão do lixo subindo a ladeira do condomínio. "Gary" estava pongado nele...


(off) História curtinha

Há cinco anos, eu fui à maternidade do Hospital Sagrada Família e lá tomei nos braços, pela primeira vez, um serzinho de pele ainda enrugada que mal abriu os olhos para me reconhecer e protagonizar minha segunda experiência como avô. Ainda assim, conversei com ela - sim, era Laurinha -, perguntando-lhe se trazia notícias de "lá". Não demorou muito e as notícias vieram, revelando que somos espíritos velhos conhecidos que nos reencontramos, mercê da Divina Misericórdia, para apertar ainda mais os laços de afeto que um dia construímos. Hoje ela completa a primeira parte de seu ciclo entre nós e por isso festejamos a contento esse acontecimento. A festa foi ontem, na data exata de sua chegada a este mundo, embora lá atrás a Mamãe Sal fizesse o planejamento de só recebê-la no dia 12 daquele dezembro de 2009. Mas Laura teve pressa e frustrou certas expectativas. Veio para dizer quem é e o que quer, razão pela qual tem chorado muito, ante a incompreensão dos adultos. No entanto, tudo é uma questão de tempo e a história dela por aqui só está começando...


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

(off) No almoço

Mais uma vez, fiquei sozinho com Pedro e Laura, enquanto seus pais e Vovó Bia foram decorar o local da festinha que a menina terá à noite, e portanto tive de preparar o almoço deles, preparando-lhes seu prato favorito. Mas a certa altura Laurinha parou de comer para ficar olhando distraída para uma fotografia que Vovó Bia havia deixado sobre a mesa. Ralhei com ela e tomei-lhe a foto das mãos, recomendando que comesse seu almoço. Ela chorou e me pediu clemência:
- Vovô, essa foto me faz feliz!
Depois fui reparar que a felicidade dela, naquele momento, devia-se à presença de vovó Mara na tal fotografia. E enquanto a menina lamentava, Pedrinho gesticulava na direção dela, qual um mago de cinema, exclamando:
- Vá, Laura, concentre-se na comida, concentre-se na comida...


(off) Enfim cinco!

Hoje é o dia do aniversário de Laurinha, que enfim completa seus cinco aninhos. Ainda há pouco este avô esteve, junto com Mamãe Sal, Papai Alexandre e Vovó Bia, na festinha realizada na escola, para que ela recebesse o abraços dos coleguinhas e da professora. Pedrinho, claro, também compareceu, como convidado de honra. Mais tarde, lá pelo início da noite, mais familiares e amigos estaremos na "festa propriamente dita", isto é, a comemoração oficial, num espaço de eventos localizado num dos shopping centers da cidade. Até vovó Mara prometeu aparecer, para diminuir um pouco da saudade que Laurinha sente. E como nestes relato é quaase praxe narrar uma gracinha de meus netos, digo-lhes que eu ainda dormia quando ela e Pedro, que dormiram no sofá daqui de casa, foram bem cedo aboletar-se em minha cama, conseguindo acordar-me. Nisso, Vovó Bia ouve a menina comentar:
- Eu pensei que ia acordar com os parabéns!
Ela se recordava de que tem sido assim por estas bandas a cada aniversário. Mas a Vovó Bia cortou o barato de minha entinha:
- Quem mandou você acordar primeiro?


(off) A dor que dói

Quem me contou esta foi o Papai Alexandre, que na semana passada ajudou Laurinha a se recuperar de uma queda, a qual fez minha netinha sofrer muito. Alexandre não me deu detalhes, apenas disse que, ao levantar-se e sacudir as mãos que apoiaram seu corpo na queda, Laura deixou escapar esta inquietação:
- Por que cair dói tanto?


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

(off) Saudade imensa

Esse é o sentimento de Laurinha em relação a vovó Mara, atualmente. A menina está que não se aguenta de tanta saudade e a cada vez que esse sentimento assoma ao entendimento, as lágrimas vêm-lhe aos olhos e o som do choro ganha o ambiente. No sábado, véspera de sua apresentação de balé, a menina acompanhou os pais quando estes foram se despedir da Dinda Juliana Paixão na estação rodoviária. Quando Laura soube que sua dinda viajava a Feira de Santana, ela começou a berrar, reafirmando a saudade de vovó Mara e manifestando o desejo de ir junto com Juliana. Mamãe Sal, para consolá-la, lembrou-lhe a apresentação de dança e perguntou:
- Você não quer dançar, não?
E ela, com sua dor lancinante no peito, berrou:
- Não, eu não quero dança nenhuma, só quero ver vovó Mara!


(off) Detalhes das emoções

Nesse domingo de emoções dentro e fora dos campos, a família se uniformizou e lá fomos nós prestigiar a estrelinha da casa, que se apresentava mais uma vez como bailarina para um grande público num dos teatros de nossa cidade. Desta vez, este avô chegou às lágrimas tão tocado ficou pela performance de Laurinha. Vovó Bia e Mamãe Sal choraram, assim como o Papai Alexandre. Pedrinho, no colo do pai, exclamava "é minha irmã!" a cada vez que Laurinha entrava no palco, o qua aconteceu umas quatro vezes.
Pagamos relativamente caro pelos ingressos, mas a beleza e a graça do espetáculo ("Dançando as canções que você fez pra mim") valeu cada centavo, mas se não fosse isso, somente a participação de Laura já teria sido suficiente para nosso agrado. E a menina não apenas dançou bem como manteve-se espevitada o tempo todo, fazendo caretas e interpretando na dançaas músicas de Roberto Carlos.
E o engraçado é que, antes da exibição, a menina, envolvida com os ensaios, repassava algumas canções conosco, em casa. Numa dessas ocasiões, ela entoava os primeiros versos de "Splish, splash" e me perguntava se eu conhecia essa música, ficando admirada ao saber que a composição era antiga...
Gostei especialmente quando ela e suas companheirinhas - dentre as quais Laura se destacava por ser das mais altas, embora todas da mesma idade - se esmeraram na coreografia da música "A fé", cuja letra explicita "você é meu escudo, você pra mim é tudo, minha fé me leva até você". Quando, ao final, revelei isso à menina, ela comentou:
- Essa é a música que Roberto Carlos fez pra Deus, Vovô!



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

(off) Das nações

As mulheres daqui de casa - e falo das adultas! - insistem para que eu vá assistir às apresentações de Pedro e Laura na escola onde eles estudam. Não dá certo. É eles me verem e esquecem tudo que devem fazer, seguindo o "script" das professoras. Foi assim hoje, quando uma certa feira das nações que até mesmo classificava a África como país, nos levou à tal escola. Antes, ajudamos Pedrinho e Laurinha a decorar as respectivas falas. Ele, vestido como um guia turístico, ocupou-se de instruir os visitantes acerca das touradas que ainda são um poderoso (e triste) atrativo na Espanha; ela, trajada como uma italianinha típica, teve de informar as características do povo do "país da bota". Mas assim que me viram esqueceram a compostura e principalmente Laura se me agarrou e não me deixou mais. Pedro, retido no ambiente de uma sala fechada, ainda foi passível de ser controlado, mas chorou ao me ver sair. Desse jeito, eu mesmo deverei me proibir de frequentar esses eventos...


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

(off) Coisa séria

Os meninos chegaram há pouco, com os pais, de uma visitinha rápida ao shopping, para onde a Mamãe Sal foi para tomar certas providências relativas à organização da festinha de aniversário de Laurinha. Vieram alimentados e por isso dispensaram a vitamina. E enquanto Pedrinho corria para a frente da TV, Laura dirigiu-se com pressa ao sanitário. Os minutos se passaram até ela gritar de lá:
- Já acabei!!!
Cá da sala, invento de brincar com ela, recordando a música de Roberto Carlos que Maria Bethânia tornou famosa, "Fera ferida":
- ...Com tudo, escapei com vida!...
Mas Laurinha não entende o que pretendo e sem querer pensar muito dispara:
- Isto é sério!


(off) Nomes

Quando brinco com Laura, jamais penso que ela poderá tomar o que digo como coisa séria, mas o fato é que eu devo medir bem as palavras pronunciadas junto a ela. Digo isso em razão do que Mamãe Sal comentou após trazer minha netinha da aula de balé de volta para casa. Laurinha está ensaiando para a apresentação anual a realizar-se no domingo. Dessa aula também faz parte uma sua coleguinha chamada Maria Júlia, a qual tem uma irmã gêmea. Pois Laura resolver emitir uma opinião acerca do nome da tal irmã gêmea da colega e me envolveu na história:
- Meu avô disse que, sendo você Maria Júlia, o nome de sua irmã gêmea devia ser Júlia Maria, porque as pessoas gêmeas têm nomes assim!
Mas Maria Júlia não deve ter entendido bem a proposição e retrucou:
- O nome de minha irmã é Maria Isabel!
No entanto, Laurinha bateu pé firme, justificando-se:
- Meu avô que falou!...


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

(off) Pra que conselho?

Pedrinho está se especializando em me fazer gargalhar. Esta tarde eu ri muito com ele ouvindo-o lamentar por não estar com sua tabuleta, para se divertir com os joguinhos favoritos. É que o aparelho estava lá em cima, na casa dele, e eu não me dispus a ir até lá para satisfazer o menino. Mas enquanto ele lamentava, eu o fiz recordar que, pela manhã, ele fora malcriado com Laura e por isso não tinha o direito de brincar com a tabuleta. Pedrinho lamentou mais ainda e então eu lhe dirigi estas palavras:
- Meu filho, quer um conselho?
E a resposta de meu neto me fez gargalhar, sem que ele atinasse o porquê:
- Não, eu quero meu tablet!


(off) Eu, hobbit

Esta manhã, antes de descer para tomar o carro que o levaria à escola, junto com Laurinha, Pedro dispôs-se a sentar ao meu lado, aproveitando que eu já me ocupava do computador, e ficou distraído entre a tela do notebook e a do televisor logo em frente que transmitia as notícias da manhã. No intervalo da programação, contudo, a TV informou a estreia da mais nova produção da trilogia O Hobbit. Pedro, então, chama minha atenção para o fato, fazendo-me gargalhar:
- Vovô Chico, vai passar "O Hobbit". Papai quer que eu seja um!



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

(off) A tal da cromação

Ontem, durante o banho noturno que dei em Pedrinho, eu o ouvi novamente falar de coisas meio estrambóticas.
- Vovô Chico – começou ele, preparando-me certamente para mais uma ocasião divertida: - ontem eu vi um filme que tinha um homem no terraço de um edifício. Ele queria se matar!
Perguntei-lhe que filme era e meu neto não soube dizer, porquanto deve ter visto um trêiler e por isso o indaguei:
- Se você não viu o filme, por que fala dessas coisas?
E é então que Pedro me surpreende, fazendo-me rir mais um pouco:
- Eu não sei. Eu acho que cromalizei tudo!
(Vocês se recordam da “profecia” dele, de que no futuro tudo será cromado, não é? Então!...)

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

(off) Profecia

Quando dou banho em Pedrinho, ele gosta de puxar assunto e por vezes temos conversas as mais ... possível. No início desta tarde, por exemplo, meu neto, certamente recordando o que talvez tenha ouvido num de seus programas favoritos da TV, observou, enquanto eu o ensaboava, que algo ali no banheiro era pré-histórico. Então passou a relacionar coisas que via como pré-históricas até a atualidade e eu dei corda a ele:
- E o mar, Pepeu, é pré-histórico também?
Mas Pedro desconversou e mudou de tempo, voltando seu pensamento para o futurro. Aproveitei e perguntei-lhe como será o futuro e o menino não regateou, fornecendo-me uma informação quase profética:
- No futuro tudo será cromado!


(off) Esse Pedrinho!...

Ontem à tarde, consenti em descer um pouco para brincar com os meninos lá embaixo, apoiando a iniciativa da Vovó Bia em retirar Pedro e Laura da frente do televisor. Então brincamos de correr um atrás do outro, de pega-pega, até que Samuquinha chegou trazendo uma bola e por isso a brincadeira teve outra conotação, excluindo Laurinha. Mas pude perceber nesse momento o quanto meu neto não tem qualquer intimidade com a pelota e o vi desistir dessas tentativas quando João Alexandre uniu-se ao grupo, também chutando a própria bola. Com isso, o jogo passou a ser disputado unicamente pelos uniformizados: João estava fantasiado de sã-paulino e Samuca se disfarçava de craque da Seleção Brasileira. Como logo chegasse a hora de preparar a vitamina dos meninos, tomei o rumo de casa, levando-os comigo. No caminho, Pedrinho se queixava:
- Vovô Chico, eu nunca vou saber jogar bola, eu tenho azar!
Digo a ela que não é questão de azar ou sorte, ams de talento. Pedro concorda:
- É mesmo, eu não tenho talento.
Mas logo sua consciência se ativa e a memória ganha corpo, fazendo-o comentar alegremente:
- Já sei! Eu tenho um talento! Eu tenho o talento de ver televisão!
Esse é o Pepeu!...


(off) Charada

Para deixar a Vovó Bia descansar um pouco, esta tarde, pus Pedro e Laura em frente ao televisor da sala, ligado no programa infantil da TVE apresentado por Bertrand Duarte. O interesse dos meninos não foi o que eu esperava, porquanto a preferência deles são os desenhos animados e não os programas de animação. Mas a certa altura o Teco Teco - nome da atração de Bertrand - apresentou uma charada: "O que todos têm dois, você tem um e eu não tenho nenhum?" A resposta, mostrada em seguida, era a letra "O". Então comentei com Pedrinho:
- Você entendeu, Pepeu?
O menino, no entanto, foi sincero e me fez rir:
- Não entendi nada, mas adorei!




terça-feira, 25 de novembro de 2014

(off) Telepatia


Confesso que fiquei um pouco assustado, esta noite, quando Pedrinho, tentando completar seu dever de casa, praticamente leu meu pensamento. Vou explicar: o menino fazia seu exercício sob a assistência materna de Sal, tendo que desenhar num livro algumas figuras correspondentes às letras ali impressas. Mas meu neto, tanto quanto sua mãe, embatucou na letra Y, sem atinar com que figura ilustrar o espaço reservado, até que Sal me pede ajuda. Então sugiro a Pedro desenhar o símbolo chinês do Yin e Yang. No entanto, na hora em que tento fazê-lo entender o que deveria grafar no papel, o menino me interrompe e declara: "Já entendi!" - e passa a desenhar primeiro o círculo, depois, o S que divide esse círculo e, por fim, os dois círculos menores, um em cada divisão do círculo maior, em posições invertidas. Claro que fiquei impressionado, mas certamente Pedrinho já tinha visto essa imagem em algum lugar...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

(off) "Na minha"


Ontem, com Mamãe Sal trabalhando até o meio dia, coube à Vovó Bia preparar o almoço dos meninos - Pedro e Laura. Mas como estivesse bastante atarefada com suas costuras artesanais, essa Vovó fez cozinhar rapidamente uma porção de macarrão e uns bifes que depois triturou para servir às crianças. Os respectivos pratos foram preparados pressupondo-se que estivessem com muita fome, mas enquanto Pedrinho se fartava em silêncio com a macarronada, Laurinha implicava com a iguaria, fazendo-me tomar uma providência simples que depois se mostrou inócua: cortei o macarrão em pedacinhos, mas nem assim a menina quis comer. Reclamamos um pouquinho, fizemos alguma chantagem até que Vovó Bia usasse a psicologia, pondo outros filetes de macarrão no prato de Laura que enfim consentiu em comer. Mas antes disso Vovó Bia tentou fazê-la perceber o exemplo do irmão, que devorava o conteúdo de seu prato azul. No entanto, Laurinha se mostrou descolada:
- Ah, Vovó, eu estou na minha, viu?


(off) Dente a menos


Nosso menino, o querido Pedrinho, ficou banguela de novo. Depois de ter perdido dois dentinhos de leite na arcada inferior, os quais já foram devidamente substituídos pelos definitivos, ontem foi a vez de um da arcada superior, logo na frente, abrir uma janelinha na boca de nosso netinho. Mamãe Sal foi a autora da façanha, porque somente a ela Pedro deu o consentimento para a extirpação dentária. Mas este Avô guardou para a posteridade a pérola remanescente. Isso foi no início da tarde. Quando o Papai Alexandre chegou e fez seu almoço, Sal propôs que todos subissem para seu apartamento, a fim de fazerem a sesta. Laurinha quis ser leva no colo pelo pai, mas Sal lembrou:
- Seu irmão é quem mais merece, porque arrancou um dente.
A menina concordou. Mas Pedrinho já se adiantava e subia os degraus da escada quando ouviu as palavras maternas. E eis que ele retorna, correndo, com um sorriso enorme nos lábios, e se atira aos braços do pai, satisfeitíssimo...


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Casório

Ontem, Laura e eu tivemos a grande alegria de receber novos mimos que tia Dany e seu noivo, Fábio, nos trouxeram, em vista do casamento deles no próximo domingo, no qual nós seremos o pajem (eu!) e a daminha-de-honra (Laura, é claro!). E o que eles trouxeram foram nossas roupas e alguns presentinhos. Eu vou usar calças com suspensórios e camisa com gravata borboleta, enquanto minha irmã vai trajar um vestido de tule e tecido bordado com uma faixa prateada na cintura. Ela vai ficar muito bonita. Laura também ganhou um par de pantufas na forma de uma joaninha. Mas tia Dany me enganou quando disse que a gravatinha borboleta era de super herói e que eu podia tirar fotos com a câmera embutida nela. Mas eu não vi nada e perguntei a ela como era que se tirava foto ali e ela me disse então que era brincadeira... Ah!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

(off) Gaiatice cabeluda

Laurinha é dona de um humor escrachado - já dá para perceber. Nossa menininha gosta de rir e não raramente costuma fazer piadinhas, geralmente repetindo as que ouve na TV. Em nossas conversas, incluindo também a participação de Pedrinho, as adivinhas têm presença cativa e nesses momentos Laura diverte-se imensamente, fazendo-me rir muito. Esta semana, ela aproveitou o Papai Alexandre como objeto de divertimento ao ouvi-lo dizer que ia sair para cortar o cabelo antes de ir à academia. Laurinha, que conversava comigo no momento, interrompeu suas palavras para comentar a pretensão paterna:
- Papai, você é careca! Como vai cortar o cabelo?
Alexandre riu.


(off) Comportamento

Como toda criança feliz, Pedrinho é também arteiro e por isso algumas vezes a escola envia cá para casa uns bilhetinhos informando o comportamento deficitário de meu netinho. Nessas ocasiões, Mamãe Sal perde seu açúcar e ralha com o menino, que tudo que faz é prometer melhorar e não fazer mais o indevido. Qual! Mas esta manhã tivemos novidades. Dentro do carro que nos levaria ao restaurante onde comemoraríamos mais um natalício seu, Sal revelou que a professora de Pedro elogiou o comportamento de seu aluno. Ficamos felizes, mas este avô gargalhou quando Pedrinho, ouvindo as palavras maternas, desabafou:
- Finalmente!


(off) Troca?

Para comemorarmos o aniversário (mais um!) da Mamãe Sal, fomos todos almoçar num restaurante chique, onde os garçons trajam vistosos aventais. Laurinha observou o fato e achou tudo muito estranho, ao ponto de me questionar:
- Vovô, por que o moço está usando vestido?
Respondo que se trata de um avental mas a menina prossegue em suas observações, reparando que as funcionárias usam calças compridas:
- Por que as meninas daqui se vestem como meninos?
E antes que ela terminasse essa frase, minha netinha assumiu ares de quem fez uma importante descoberta e exclama:
- Está tudo trocado!


(off) Realeza

Menos precoce que o irmão no tocante ao aprendizado das letras, Laurinha só sabe, por enquanto escrever o próprio nome - ainda assim, com letras garrafais. Esta tarde, acompanhada por Mamãe Sal na execução de seu dever de casa, a menina desenhou seu nome com as últimas quatro letras semi deitadas em relação à primeira. Quando Sal a questionou a respeito, minha netinha saiu-se com esta explicação:
- É que o "L" é o rei e as outras se curvam!


(off) Cheiro

Ganhei na terça-feira uma latinha de chá Twinings, presente dos companheiros do grupo de estudos espíritas. Ainda não provei o chá, no sabor misto de camomila, mel e baunilha (depreendo então que seja delicioso). Mas senti o aroma, agradabilíssimo. No momento em que abri a lata, Pedrinho estava ao meu lado e o fiz sentir o olor do conteúdo, perguntando-lhe:
- Não é uma maravilha de cheiro?
O menino, no entanto, jogou um balde de água fria em meu entusiasmo:
- Tem cheiro de massinha de modelar estragada!...


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Coraçãozinho de martelo

Ontem Mamãe e Vovó Bia foram acompanhar Dinda no exame de ultrassonografia para ver como está o bebê dela, nosso priminho. Quando voltaram, já de noite, Mamãe mostrou a Vovô Chico o vídeo que ela fez com meu tablet. Primeiro, Vovô ouviu as batidas do coraçãozinho de nosso primo, que eu quero que se chame Júpiter. Depois, Mamãe mostrou o tamanho do bebê, tão pequenininho que Vovô apelidou ele de "Limãozinho". Vovô Chico adorou as batidas do coraçãozinho do nenê e disse que pareciam marteladas, de tão fortes que eram...

sábado, 8 de novembro de 2014

(off) Cinema

A convite, qual se VIPs fôssemos, assistimos, ontem à noite, o filme "Made in China", estrelado pela atriz e apresentadora de TV Regina Casé. Para não deixá-los sozinhos em casa, levamos Pedro e Laura conosco - e éramos os pais deles, os avós e a Dinda Nanda. O Dindo Caio também apareceu por lá, mas apenas para presentear com um de seus "miudins" a atriz global, que fez questão, segundo disse, de prestigiar a esteia da fita em terras baianas. Junto com ela vieram também o diretor Estêvão Ciavatta e o ator Xande de Pilares.
Os meninos se divertiram a valer, mas não com o filme. A diversão deles foi antes da projeção - ou exibição, uma vez que os projetores são do tempo em que meus tios, funcionários do extinto Cine Timbira, em Feira de Santana, tinham de trocar os rolos de filme, além da fazerem cortes no acetato, deixando as sobras com os sobrinhos... -, quando Laurinha aproveitou o extenso saguão para correr com o Papai Alexandre e com este avô, além de se enroscar nas pernas da prima Patrícia, minha sobrinha, e Pedro, cansado da correria, entreteve-se com os joguinhos de sua tabuleta.
Dentro do cinema, Laurinha escolheu ficar no meu colo e manifestou sua intenção em dormir tão logo o escuro ocupasse a sala. Mas ela não contava com os discursos, que demoraram, e a toda hora me perguntava quando as luzes se apagariam. No entanto, assim que os depoimentos começaram, os olhos da menina já estavam fechados e ela logo começaria a ressonar tranquilamente, enquanto eu também bocejava...
Quanto a Pedrinho, ele também não resistiu ao peso da hora e igualmente adormeceu no colo da Dinda Nanda, talvez sonhando com o priminho abrigado no ventre dela. Mas rimos bastante com ele quando, ao final do filme, o menino acordou assim que levantamos para descer em direção à saída e Pedro, ainda sonado, comentou:
- Esse filme foi muito curto!


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Vem logo, priminho!

Como vocês já sabem, Dinda está grávida do primeiro filho dela, significando que vamos ganhar um priminho. Vovô Chico está chamando ele de "Limãozinho", porque já cresceu mais do que uma lentilha. Vovó Bia disse que nós não sentiremos ciúmes dele somente porque observou o comportamento de minha irmã, Laura, em relação a esse fato. É que ontem Laura apontou para uma cadeirinha que nós temos aqui em casa, uma cadeirinha de criança bem pequena que nós usamos para brincar, e disse a Vovó Bia que, quando nosso priminho chegasse, essa cadeira podia ser colocada em cima de uma das cadeiras da mesa para ele almoçar junto conosco! Por essa disposição engraçada de minha irmã é que Vovó acha que nós não sentiremos ciúmes. Mas por que Vovó Bia me incluiu nisso?


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

(off) Eu, sim; eu, não!

Aproveitei que tinha lavado as mãos de Laura para cortar as unhas dela. Sentei-a no colo, aboletado no sofá, e iniciei a tarefa. Da posição em que se encontrava, Laurinha via perfeitamente a árvore de Natal que a Vovó Bia, por insistência da menina, já armou, enfeitando-a com criativos acessórios de papel feitos por minha filha Ananda, que está se revelando uma expert em origami. Laura vê um embrulho prateado ao pé dessa árvore e imagina ser um presente; por isso comenta:
- Olhe, Vovô, papai Noel trouxe um presente. É pra mim?
Digo-lhe que não sei, mas informo que esse Noel só dá presente às crianças que se comportam bem. Mas Laurinha nunca se dá por vencida e afirma:
- Eu me comportei direitinho hoje.
No entanto, sou mais incisivo:
- Mas o papai Noel avalia o comportamento do ano inteiro. É o seu caso?
E minha netinha mostra bem que tem miolos e responde:
- Vovô, deixa isso pra lá!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

(off) Cartinha


No fim de semana que passou Laurinha apresentou a este avô a cartinha que fez para o "papai Noel", com a ajuda de tia Carol. O interesse da menina era me fazer de intermediário entre ela e o tal do "bom velhinho", a quem minha netinha pedia uma certa "casa da Chelsea" (depois Mamãe Sal me informaria tratar-se de um acessório muito caro de uma boneca que é a sensação do momento entre as menininhas com mais de três anos de idade). Mas em vez de festejar a iniciativa de Laura eu critiquei, brincando com ela, a grafia da palavra "casa", cuja letra inicial parecia mais um "L" que um "C", e disse a ela que o "papai Noel" não iria entender a escrita. Laurinha não se deu por vencida e insistiu  para que eu lesse "direito". Porém, depois de minha terceira sustentação do "erro", a menina toma a direção do quarto e vai se queixar à Vovó Bia:
- Estou triste!
- Por quê, Laura?
- Minha carta para o Papai Noel está errada e eu nunca vou ganhar a casa da Chelsea!
Quando eu soube do ocorrido, fiquei admirado de que minha netinha preferisse acusar o erro na carta em vez de ressaltar a crítica que eu havia feito...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

(off) Brincadeiras

Depois do banho, Pedro e Laura foram brincar na sala, enquanto fui consertar a bagunça que os dois fizeram no quarto, espalhando livros e brinquedos e desforrando a cama. Quando passei por eles, em direção à cozinha, munido de uma vassoura com que arrastava os papéis picotados com que decoraram o chão, Pedro dava ordens que Laura cumpria com o maior gosto:
- Vá até aquela cadeira; agora ande até a máquina de costura da Vovó Bia; agora vá até a televisão...
E eu já estava nos fundos da casa quando a última determinação do menino me fez rir sozinho:
- Agora durma, Laura; durma sessenta e dois por cento...


(off) Dinda Ju

Laura ama muito seus padrinhos, até mesmo aqueles que não são os titulares do posto, como é o caso do dindo Gabriel. No fim de semana passado, aproveitando a visita da Dinda Juliana, a menina não desperdiçou a chance de reafirmar seu carinho todo especial por essa madrinha, irmã de tia Carol e integrante dos parentes radicados em Feira de Santana. Já na manhã de domingo, no Centro Espírita onde ela e Pedro costumam tomar passes, essa demonstração de afeto transparecia, porquanto minha netinha pedia pressa às tias médiuns:
- Eu não posso demorar, porque Dinda Ju está me esperando em casa!
Mais tarde, já de volta ao lar, alguém observa esse chamego e pergunta:
- Você gosta muito da Dinda Ju, não é, Laura?
A menina, no entanto, é taxativa:
- Gostar? Eu adoro ela!

(off) Parecer

Esta tarde, com a energia de sua tabuleta descarregada, Pedrinho iniciou um lamento, dizendo-se deprimido por não ter nada a fazer, posto Vovó Bia encontrar-se no quarto "ocupando" a TV. Sensibilizado, chamo-o para meu lado, a fim de mostrar-lhe uma vez mais a mais nova de suas paixões: os vídeos dos comerciais do MacLanche Feliz produzidos pelo mundo a fora. Mas como meu computador tem a velocidade de um carro de boi, enquanto o youtube está abrindo vou fazer outra visita ao facebook, e Pedro chama-me a atenção, dizendo que não entendo o que ele quer. Em resposta, tento dizer a ele de minhas limitações:
- Ah!, garoto, este seu avô...
E ele nem espera que eu termine a frase e ponga em minhas reticências:
- ...Parece que entende mas não entende!


domingo, 2 de novembro de 2014

(off) Maravilha

Uma lady vestida de flor. Foi assim que encontrei Laurinha, esta tarde, quando cheguei em casa e a vi paramentada com o vestido de festa, estilo "princesa", da filha da vizinha. A arte foi da Vovó Bia, que sempre pede a Laura para experimentar suas criações. Assim foi que, ao chegar e elogiar minha netinha, e até mesmo "ensaiar" a valsa que pretendo dançar com ela daqui a dez anos, perguntei à menina:
- Você está bem?
Mas Laura não regateia e, depois de se olhar no vestido vermelho-bonina com um grande laço nas costas, responde, para gáudio da Dinda Ju, que nos visita neste fim de semana:
- Eu estou maravilhosa!


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

(off) Lepo?

A música é elemento constante na vida dos meninos e até na escola essa inclinação é percebida ao ponto de a diretora pedagógica de lá ter revelado a este avô que uma vez Pedrinho solicitou da professora de música a letra de uma das composições utilizadas em certa apresentação. Esta noite, o Papai Alexandre Lucas entreteve-se com as crianças ouvindo músicas na tabuleta de Pedro, que nesses momentos, contudo, só tem uma solicitação a fazer. E depois de ter ouvido umas três vezes sua música preferida, o menino insiste no pedido, ao receber o estímulo paterno:
- Lepo!
Alexandre, no entanto, reclama com ele, perguntando se o menino não se cansa de ouvir sempre a mesma coisa - e este avô também se mete na conversa, argumentando que já no título a música tem dois lepos:
- Quantos lepos você quer ouvir? - inquire Alexandre, para ouvir de Pedrinho uma resposta bastante arguta:
- Eu só disse "lepo".

(off) Bronze

Pedro e Laura estão muito acostumados a sair de carro e por isso resistem muito a caminhar até o ponto de ônibus. E como o carro do Papai Alexandre Lucas está na oficina, depois de encontrado avariado após ser tomado de assalto, andar tem sido uma necessidade. No final desta manhã, para atender a um compromisso com a Mamãe Sal, logo que os meninos chegaram da escola Alexandre e este avô descemos com eles com destino a um dos shopping centers da cidade. Mas logo Laurinha reclamou do sol escaldante, pelo que seu pai procurou contemporizar fazendo este convite:
- Vamos pegar um bronze?
Minha netinha, porém, é muito atilada e retrucou:
- Vamos pegar um táxi?


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

(off) Pedro e Laura

Após chegarem da escola e tomarem banho, os dois sentam-se à mesa para o almoço, felizes por lhes servirmos o prato preferido. Cá do sofá, presto atenção na dupla, sentada de costas para mim. Estimulado por uma conversa com a coordenadora pedagógica da escola deles, lanço uma pergunta provocativa a Pedrinho:
- Pepeu, você quer tocar um instrumento?
Ele volta-se para mim e dispara:
- Eu quero tocar bateria!
Não era o que eu esperava, pois pensava no máximo numa guitarra. Mas aí Laurinha se intromete na conversa:
- Pupu, você não pode tocar bateria!
Quem disse que não? Pedro, portanto, reage:
- Eu posso, sim!
Mas a irmãzinha dele reforça o aviso, para minha gargalhada:
- Problema seu, ela vai bater na sua mão!


(off) Sobremesa

Laurinha adora umas pipocas do tipo canjica que costumo comprar, as quais ela batizou de "pipoca com gosto de milho". Hoje, após o almoço, ela quis provar mais um pouco dessa gostosura e atendi sua vontade, premiando-a por ter devorado todo o conteúdo de seu prato. Abri o saco de pipocas e derramei a metade numa tijela plástica e deixei Laura deliciando-se com a sobremesa enquanto via TV. Algum tempo depois, ela vem até mim e apresenta tijela quase vazia, exclamando:
- Quero mais.
No entanto, em vez de satisfazê-la, eu a inquiro:
- Quer mais? Mas você nem comeu tudo!
A menina olha com algum desdém para a tijela e, antes de dar meia volta e seguir em direção ao quarto, explica-me:
- Eu quis dizer quero mais, não!


(off) Porcentagem

Pedro, apesar de ter grande afinidade com letras e números, ainda não aprendeu a racionalizar frações e, nesse âmbito, também não tem muito clareza quanto às noções de percentagem. Da mesma forma, ele de vez em quando deixa a desejar no tocante à alimentação, apresentando-se mais magro que Laurinha. Faço todo esse preâmbulo para lembrar que dias atrás, antes de sair para um compromisso, preocupei-me em perguntar a meu neto se ele estava com fome. Como sua resposta fosse negativa, aproximei-me dele, apertei-lhe a barriguinha e insisti:
- Sua barriga está cheia?
Ele procurou me esclarecer matematicamente:
- Minha barriguinha está quatro por cento vazia!
Ri e fui embora...


(off) Escanteio

Ao chegar, ainda há pouco, aqui em casa, para início de mais um dia com intensa atividade escolar, Pedrinho me vê sentado com o laptop no colo e se aproxima. A tela mostra o Facebook aberto e vejo a postagem do amigo João Fernando Gouveia ilustrada pela foto abaixo, feita no dia do lançamento de meu livro "O Chamado", ocasião em que principalmente Pedro teve participação ativa, até mesmo fazendo pose para fotografias ao meu lado. Então o menino estica os olhos, presta bastante atenção na imagem na tela do computador e me faz gargalhar com seu comentário:
- Puxa! Eu fui substituído?


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

(off) Mosquito de morte

Vovó Mara manifestou preocupação com a tal febre "chikugunya" que assola Feira de Santana e por isso vê-se às voltas com os mosquitos que tenta matar para reguardar os moradores de sua casa. Não faz muito tempo, ela telefonou para cá, a fim de falar com Mamãe Sal e Vovó Bia. Quando soube que era a vovó Mara quem ligava, Laurinha correu para perto do telefone e pediu para falar com a vovó feirense de quem tanto gosta. E assim que pôs o fone no ouvido, a menina inquiriu:
- Vovó Mara, o mosquito já foi matado? Ele está morrido?