segunda-feira, 31 de outubro de 2016

(off) Paciência


Pedro e Laura acabaram de chegar do fim de semana passado com o Papai Alexandre. Vieram alimentados e assim dispensaram a vitamina. E porque Mamãe Sal já planejasse que acordariam cedo amanhã para irem à escola, mandou os dois para o banho. Meus netos adoram passar o tempo sob o chuveiro e cerca de dez minutos depois de se banharem minha filha pediu-lhes pressa:
- Vamos, crianças!
Da sala, só escutamos as vozes da conversa entabulada entre os dois dentro do box e por isso engrosso o coro, referindo-me principalmente à menina, sempre mais loquaz que o irmão:
- Laura, está ouvindo?
E ela grita de lá:
- Espera!
Mamãe Sal não gostou do tom e ralhou com minha neta:
- É assim que fala com seu avô?
Fez-se um breve silêncio mas logo em seguida Laurinha se pronuncia:
- Mas tem outro jeito de dizer "espera!"?
Eu ri.

domingo, 30 de outubro de 2016

(off) Desmame - o terceiro dia


Pois é, fomos dormir ontem com a firme intenção de testar o paladar de Pedro e Laura com um suco com biscoitos - ou pão torrado, como eles gostam. Como a dupla também pernoitou na casa destes avós, julgamos que teríamos facilitada a tarefa, sem contar que poderíamos ter alguma surpresa. Assim quando levantei da cama, às cinco e meia da madrugada, já encontrei os dois despertos, com os olhos grudados na TV. Fui logo cumprimentando-os:
- E então, vamos tomar café?
Mas meus netos são uns safadinhos e nesse momento bradaram numa só voz:
- Queremos vitamina!!!


(off) Desmame

Anteontem nosso caríssimo Pedrinho manifestou um certo entojo em relação à mais que habitual vitamina que sirvo a ele e a Laura há mais de sete anos. Em razão disso, começamos o "desmame" de ambos, passando a fazê-los habituarem-se com um café da manhã mais prosaico. No primeiro dia, foi aquele auê, com os dois apresentando dificuldade para comer o pão quente com manteiga e um pouco de café com leite - ou melhor, leite com café - fazendo Pedro apresentar até mesmo ânsias de vômito. Depois pensei melhor e decidi que hoje eles tomariam não o café, mas um achocolatado, mais ao gosto do paladar infantil, mas principalmente Laurinha implicou com esse menu, servido por Mamãe Sal. Amanhã vamos variar o cardápio matinal fazendo-os tomar um suco de frutas...


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

(off) Competências

Não posso evitar me divertir muito com meu neto Pedrinho (agora já não preciso usar o aposto, uma vez que temos Ulisses). Ontem, enquanto fazia seu dever de casa, ele buscou a mãe revelando certa dificuldade com um exercício de matemática, às voltas com a multiplicação. Ofereci-me para ajudá-lo e mostrei-lhe como é fácil multiplicar por três. Ele compreendeu e realizou as contas, mas logo retornou, embatucado com a multiplicação de quatro, recebendo nova explicação. Concluída a tarefa, meu neto vem para perto de mim e, como não se interessa pelo que faço no computador, pega uma revista e passa a folheá-la. Em certo momento, Pedro me interrompe para mostrar um teste psicológico e me inquire:
- Vovô, o que você acha que eu sou!?
Examino o teste e aponto um dos muitos perfis psicológicos à disposição:
- Desorganizado.
Ele contesta:
- Desorganizado? Mas eu sou muito organizado. Por sinal, vou agora mesmo organizar meu quarto!
Ri muito.

(off) Quase lá



Soaria falso dizer que não estamos ansiosos para ouvir as primeiras palavras de Ulisses fora do habitual tatibitate dos bebês. Com seus 16 meses seria de esperar que ele já pronunciasse os vocábulos mais prosaicos, como papai, mamãe e água - com um pouco de "sorte" ouviríamos, talvez, um "vovô", mas fiquemos por aqui. O fato é que as mais recentes impressões resultaram inócuas, porque o menininho não satisfaz nossos anseios. Ainda assim, minha filha Sal, sua "babá", tenta ensinar-lhe alguma coisa mas Ulisses só aprende - ou consente em aprender - apenas gestos, observando vídeos como os da galinha pintadinha. Uma dessas tentativas da Tia Sal foi no sentido de fazer meu netinho falar o próprio nome - vejam a dificuldade! E Ulisses, talvez procurando satisfazer o apelo da tia, sibilou a língua entre os dentes:
- Sssssss!
É muito "s" num nome só...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

(off) Arte culinária



Num dia em que não tiveram aula nesta semana, Pedro e Laura estacionaram aqui em casa e, para tirá-los um pouco que fosse da frente da TV, Vovó Bia decidiu aceitá-los como auxiliares enquanto ela preparava o almoço. Eles adoraram, principalmente em razão do critério que a avó estabeleceu para o trabalho, o de ser chamada de "chef" durante o processo. Assim, a todo instante ela ouvia:
- Chef, posso fazer isso?
- Está bom assim, chef?
Devo acrescentar que mormente Pedrinho gostou dessa brincadeira muito séria porque meu neto é um entusiasta dos programas de gastronomia (na minha época se chamava arte culinária...) tão em moda na televisão brasileira e mundial. Por isso é que dó depois entendi quando, numa das vezes que o levei ao mercado, ele interessou-se em adquirir um pacote de pó para bolos, com o que não concordei, perguntando para que ele queria aquilo e ouvi a resposta que me fez rir:
- Eu quero botar a mão na massa!

domingo, 2 de outubro de 2016

(off) Capoeira

Ulisses, como toda criança em fase inicial do aprendizado, provoca algumas surpresas divertidas na gente, seus familiares. Uma prova disso ele deu na sexta-feira passada, diante de uma perplexa Tia Sal. Quando cheguei em casa, de volta da clínica onde fiz um certo exame, minha filha me contou que meu neto mais novo posicionou-se semi-agachado em frente a ela, com as mãozinhas apoiadas nos joelhos. Sal estranhou e perguntou se ele queria fazer o "número dois". O menino riu e sua "babá" insistiu:
- Quer fazer cocô ou vai jogar capoeira - e imitou o toque característico do berimbau.
Ao ouvir o som, Ulisses abriu os bracinhos e começou a gingar como os aficionados da arte que imortalizou Mestre Bimba, para espanto de Sal.
Mais tarde, comentando o fato com a Mamãe Nanda, esta nos informou que no dia anterior ela e Gabriel haviam levado o garoto ao forte de Santo Antonio Além do Carmo, onde alguns capoeiristas costumam fazer exibição...

(off) Dias de princesa?



Nesta semana, Laurinha experimentou mais uma decepção em sua curta existência entre nós, certamente por conta da interpretação muito particular das leituras que tem feito dos livros que lhe presenteamos habitualmente. Possivelmente o que gerou a desilusão de minha neta foi o fato de Mamãe Sal ter elaborado um novo calendário de tarefas para ocupar parte do tempo de seus filhos, Pedro e Laura, o que certamente não foi bem recebido pela menina, que argumentou sua condição de "princesa". Naturalmente, Sal contestou essa posição de sua filha e foi com esse espírito que os três chegaram numa dessas manhãs aqui em casa. Logicamente, fizemos, Vovó Bia e eu, coro às ponderações maternas e explicamos a Laura que ela não era de fato uma princesa, mas uma criança como outra qualquer da vizinhança. Mas minha neta, ainda manifestando sua proverbial rebeldia, bradou sua indignação:
- Quer dizer que os livros que a Vovó me deu não servem pra nada?

(off) "Acontece que eu sou baiano..."


Às vezes eu me assusto com o quanto Pedrinho é desligado, ao ponto de não atinar com as situações mais básicas da vida, naquilo que diz respeito a cada indivíduo em seu "aqui e agora". Ele simplesmente não presta atenção ou não se interessa a essas questiúnculas tão importantes do dia a dia. Para se ter uma ideia, fazendo o dever de casa, num desses dias, meu neto embatucou na questão sobre qual é o estado onde ele mora. Perguntando a este Avô, fiz questão de, pedagógica e socraticamente, inquiri-lo acerca de sua condição, oferecendo algumas dicas que, eu pensava - poderiam fazer com que raciocinasse a partir deste diálogo:
- Onde você mora, Pedro?
- Em Salvador.
- E Salvador é a capital de qual estado?
Ele foi franco:
- Não sei.
Voltei à carga:
- Por qual time você torce?
- Bahia!
- E o Bahia representa qual estado?
- Não sei.
Tentei facilitar a questão, mas só compliquei o entendimento do menino:
- O Bahia é de São Paulo ou de Pernambuco?
- Acho que é de Pernambuco...
Como não desse certo meu estratagema, voltei ao básico:
- Onde você nasceu, Pedro?
Essa ele sabia:
- Em Salvador.
- E quem nasce em Salvador é o quê?
Os olhinhos dele brilharam:
- Baiano!
- E onde vivem os baianos?
Essa última pergunta, agora reconheço, não foi tão bem elaborada assim, porque os baianos não vivem todos aqui e por isso meu neto ficou na estaca zero:
- Não sei...
Mas Laurinha, muito da espevitada, intrometeu-se:
- Eu sei, posso ajudar?

(off) Inglês para baiano entender

Dentre as várias matérias oferecidas pela escola neste segundo ano do ensino fundamental, Pedrinho curte muito as aulas de inglês, procurando aperfeiçoar-se na pronúncia das palavras no idioma da rainha Elizabeth. De vez em quando, o Tio Caio se encarrega de sabatinar meu neto nesse quesito, quando Pedro não se faz de rogado e apresenta seus conhecimentos. Mas ontem eu ri muito com ele quando o menino, ao passarmos de carro pela pista em frente do Parque da Cidade, ouvi-o comentar assim:
- Park of city. The better "lugar" (e ele pronunciou "lúgar") of the world!

Adorei.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

(off) Sons e risadas

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Saí com Laurinha agora à tarde para tomar umas providências e, na volta para casa, passei pelo armarinho a fim de comprar papel - e armarinho, como se sabe, vende de um tudo e lá minha neta se apaixonou por uma flautinha doce que me obrigou a adquirir. Desse modo, o caminho foi feito à base do som mais suportavelmente desafinado que se possa imaginar. Num trecho da estrada, Laura interrompeu sua tocata para me indagar acerca de certo cadáver observado na rua:
- Vovô, o que é isso?
Respondi-lhe que era um rato morto e a menina exclamou num misto de surpresa e nojo:
- Nossa!
Mas logo se recobrou e manifestou a dúvida:
- Mas ele está com o olho aberto!
Não sei como pôde ela observar esse detalhe, tão rapidamente passamos pelo defunto, mas ri por dentro e aproveitei para fazer uma gracinha:
- É que ele morreu vivo!

(off) Viva Peu!

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Hoje, todas as atenções e todas as homenagens da família são para Pedrinho, que completa nesta data seu oitavo aniversário. Parabéns para ele. De minha parte, quero reafirmar aqui meu amor e minha admiração por este primeiro neto que no passado foi um presente ansiado e na atualidade é o futuro que se esboça generoso e responsável.

(off) Ulissidades

Aos pouquinhos, torna-se possível relatar aqui as gracinhas de meu mais novo netinho, o pequeno grande herói Ulisses, cujo nome, é bom não esquecer, é tirado de uma bela história da mitologia grega. Com pouco mais de um ano, nosso bebê ainda não fala português, de modo que, para nós, quase tudo quanto ele pronuncia parece grego também. Mas a arguta Mamãe Ananda já percebeu algumas peculiaridades do falar ulissiano e na semana passada fui informado de que certas expressões usadas pelo garoto têm razão de ser. Segundo minha filha, na voz de Ulisses "babá" cabe bem na Tia Sal, que toma conta dele durante a semana; com a palavra "papá" ele se refere ao Papai Gabriel, como parece óbvio (Ulisses não chama a própria mãe de mamãe, mas de Ananda mesmo!); já a este Avô o menino trata por "Dadá", disse-me a mãe dele, o que me intrigou. Depois de refletir um pouco, compreendi que Ulisses me chama assim porque não lhe nego nada do que me pede...

(off) Aula

Na semana passada, Laurinha estava brincando com João, o filho da vizinha, tia Dani, quando cheguei no edifício onde eles moram - por sinal, vizinho ao meu. Fui ver Ulisses e passamos a ser quatro na brincadeira com uma bola de futebol, para a alegria incondicional de meu terceiro neto. Mas eis que chegam a amiguinha Lara e sua mãe, outra tia Dani. Esta menina trouxe os deveres de casa para fazer enquanto sua genitora se entretinha com a xará, mãe de João, e isso inspirou minha neta, que correu até em casa e também trouxe seus livros e lápis para cumprir a proposta escolar. Abrindo uma pasta, Laura explicou à amiga que seu dever envolvia a disciplina de Ética. Lara estranhou:
- Ética?
Laurinha confirmou e eu, ouvindo a conversa, achei de meter o bedelho e perguntei à menina:
- O que é ética, Laura?
A resposta foi desconcertante e fiquei pensando se nela não havia um quê de presunção ou era apenas uma inocente sinceridade, porque minha neta simplesmente disse:
- É o que eu sou!

(off) Vanitas, vanitatem (*)


Na terça-feira, ainda que extemporaneamente, Mamãe Sal promoveu a comemoração do oitavo aniversário de Pedrinho reunindo os amiguinhos dele no parque de um dos shopping centers de Salvador. Meu neto realizava assim um de seus sonhos de infância. Ali, junto com João Victor, Lara, Laura, Alice, Luana, Luna, Maria Júlia, João Alexandre e outras crianças, Pedro divertiu-se testando os mais diferentes brinquedos mecânicos e eletrônicos, na companhia do Tio Caio e do dindo Gabriel. Mas o menino não chegava perto de um dos brinquedos e por isso Caio o questionou, recebendo de volta uma resposta tão engraçada quanto reflexiva:
- Você não gosta de jogos de luta, Pedrinho?
- Não, eu sou muito vaidoso!

***
(*) A expressão que dá título a esta postagem significa, em latim, "vaidade, tudo é vaidade".

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

(off) Chique no "úrtimo"!

É comum os meninos trocarem a farda logo que chegam da escola, a fim de se prepararem para o almoço, conforme Mamãe Sal faz questão. Mas num dia desses, quando minha filha, mãe de Pedro e Laura, precisou sair para fazer compras com a Vovó Bia, deixando-me encarregado de recepcionar as crianças, observei que Laurinha cumprira todo o ritual, mas Pedro não tirara os sapatos, forçando-me a esta interrogação:
- Você vai de tênis mesmo, Pepeu? (o almoço era em minha casa.)
E o menino me dá esta resposta, fazendo-me rir:
- É mais chique!

(off) Identidade

No afã das brincadeiras em que se envolvem prazeirosamente, por vezes Pedro e Laura costumam exagerar e por isso vêm as queixas, como a que Laurinha me trouxe dia desses:
- Vovô, Pupu fez assim em mim - e apontou para a barriga, indicando que o irmão a empurrara.
A menina pronunciou a expressão "em mim" como se tivesse apenas as letras i e m, dando-me a deixa para, por minha vez, testar os conhecimento dela:
- Foi "imim" ou "nimim"?
Mas Laurinha não perde o rebolado e retruca:
- Na irmã dele, que sou eu!

(off) Juntos e misturados

Resolvidos a almoçar no shopping, lá fomos nós - as três crianças, Mamãe Sal, Vovó Bia e este Avô -, a fim de comemorarmos assim, em "petit comité", mais uma primavera da Vovó de Ulisses, Laura e Pedro. Depois de servir os meninos mais velhos com o prato de que mais gostam em seu restaurante favoritos - a comida especial de Ulisses foi levada de casa mesmo -, mudamos para uma casa de repasto mais ao gosto da aniversariante, sob o patrocínio de Sal. Uma vez instalados, as mulheres vão preparar seus pratos e fico tomando conta dos petizes e isso deixou Laurinha curiosa:
- Vovô, quem vai comer agora?
Como a situação é óbvia, não me preocupo tanto com a pergunta da menina e respondo sem muita contemplação:
- Os adultos.
Mas minha neta volta à carga:
- E você?
Sem atinar com o pensamento dela, respondo com simplicidade, enquanto seguro Ulisses:
- Eu também sou adulto.
É então que Laura arremata seu raciocínio, fazendo-me rir mais uma vez com essas insinuações "maldosas" de meus netos:
- Não, Vovô, você é velhinho!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

(off) Diversão ocupada


Estou aqui com Ulisses, exercendo minha função de babá, ante a ausência da Tia Sal, titular da "pasta", e vendo-o futucar as coisas de minha filha, dona da casa onde estamos, enquanto devora um naco de maçã. Tentando ensinar-lhe a não mexer no que não é de sua conta, aprendo um pouco mais sobre o comportamento infantil. Ele consegue encontrar um brinquedo que não deveria ter nas mãos, para não quebrá-lo, e então providencio a recolocação do objeto sobre um móvel bem rente à parede. Os braços de meu netinho ainda são curtos, mas sei que com algum esforço ele conseguirá o que suas mãozinhas pretendem. Mas ele não dá a mínima e termina de comer o naco de maçã e vem pedir mais. Satisfeito, agradece-me com um beijo estalado e vai perseguir uma bola largada propositalmente na sala...


(off) Respeito


"Respeite seu avô, Pedro!". Essa recomendação/reclamação de Mamãe Sal se deu ao ouvir meu neto abordá-la, após vê-la arrumada para sair, como faz toda sexta-feira, desde há algum tempo, a fim de cumprir um tratamento terapêutico. Nesse momento, eu pajeava Ulisses, que dormia, ao mesmo tempo entretido com as diversões e as últimas notícias facebookianas, de modo que não pude prestar atenção na frase de Pedrinho. Assim, perguntei a Sal a razão pela qual ela fez a admoestação e minha filha citou o teor do comentário:
- Você vai mesmo deixar a gente com um bebê e um velho?

sábado, 23 de julho de 2016

(off) Virtude


Mamãe Sal faz o devido esforço para educar Pedro e Laura e, como (quase) toda mãe, às vezes se zanga e briga com as crianças, razão pela qual Pedrinho aproximou-se dela, agora há pouco, com alguma reserva para relatar certo acontecimento e depois justificou-se:
- É para você não brigar comigo.
Entretanto, Sal ponderou com o menino:
- Eu só brigo quando vocês não falam a verdade.
Pedrinho gostou da assertiva e observou:
- É, eu tenho que ter honestidade.
Nesse momento, Mamãe Sal, Vovó Bia e eu mesmo passamos a incentivá-lo:
- Não apenas honestidade, mas também sinceridade, lealdade, fidelidade...
Meu neto fica feliz com as ponderações e despede-se assim:
- É, eu tenho todas essas coisas!
De onde estou, grito para ele, que não me ouve:
- Você também tem muita modéstia, Pedro!

(off) Dinheiro lavado


Ontem à noite, recordei, junto à Mamãe Sal, que eu havia deixado cem reais no bolso da bermuda que pus na máquina de lavar, esperando que Bia ainda não tivesse realizado essa operação tão comum nas lides domésticas. Mas Sal me observou:
- Você sabe que isso é crime, não é?
Distraído que estava, em frente à tela do computador, não captei o sentido das palavras de minha filha e por isso perguntei-lhe:
- Crime, por quê?
E ela não se fez de rogada:
- É lavagem de dinheiro.
Então percebi o alcance histriônico da observação de minha filha e ri, pedindo a ela que não levasse meu pequenino drama ao juiz Moro.
Mas Pedrinho, no corredor, ouviu parte de nossa conversa e quis saber:
- Por que lavar dinheiro é crime?
Em vez de responder à dúvida de meu neto, eu lhe disse apenas que nem quisesse saber e que ficasse dessas coisas o mais longe possível...

sexta-feira, 15 de julho de 2016

(off) Veia poética



Podemos dizer tudo de Pedrinho, que ele é distraído, relapso com seu material escolar, desobediente, teimoso... mas não se pode negar que meu neto é dono de uma alma doce, e que sua falta de atenção para as coisas prosaicas é devida unicamente à cabecinha de vento própria dos poetas, o que ele já demonstra desde cedo. Falo isso porque na manhã de hoje, precisando futucar alguma coisa no escritório - local que divido com os meninos (logo, logo Ulisses também será um desses usuários) - encontrei no chão uma folha rabiscada e conveniente dobrada como um envelope com a missiva a ser enviada. Era um poema destinado a um tal "Colégio Doce" (a letra O foi desenhada como se fosse uma rosquinha) que me comoveu após a leitura. Vejam, com a ortografia própria de uma criança de sete anos que ainda não presta muita atenção nas lições de gramática:

O bom dia

Eu acordei...
vi sua foto...
senti você
nos meus brasos...

Porque teve um
bom dia
com muita
alegria

a escola não
tem mais prova...
e você é
a chave...

sinto vontade
de até voar
com você

(DE: Pedro Lucas
Para: esse colégio doce)

Não é lindo?

quinta-feira, 14 de julho de 2016

(off) "Magrela" turbinada


Ontem à noite, quando Pedrinho e Laura chegaram aqui em casa, trazidos pelo Papai Alexandre, este me trouxe a informação de que meu neto ainda não se habituou a andar de bicicleta. Sim, no último Natal (ou terá sido no último aniversário?), o menino ganhou uma "magrela" e por mais que eu o estimulasse Pedro não encontrou jeito de se dar bem com o veículo. Por fim, pedimos a Alexandre que levasse a bicicleta para sua casa, porque, já que ele tem carro, poderá levar Pedrinho para as tentativas de adaptação. Creio que o domingo tenha sido um dia de aprendizado frustrado, pois ao chegar aqui Alexandre me fez saber da pergunta que meu neto lhe fez:
- Papai, bicicleta tem "airbag"?

sexta-feira, 1 de julho de 2016

(off) Axilose?


Não é fácil adolescer e meu neto mais velho, o Sr. Pedro Lucas, está ansioso para chegar a essa fase da vida, apesar do que ele ainda não sabe mas já começa a perceber, aos sete para oito de seus anos entre nós. Sim, a pré-adolescência já se instala no corpo e na mente de nosso menino que aos poucos compreenderá as contradições desse processo de transição, quando quer tomar atitudes mais "maduras" e ainda tem comportamento infantil. Mas uma coisa é certa: os hormônios, nesse ínterim, parecem ganhar vida própria e Pedro é a vítima da vez. Logo após chegar da viagem feita com o Papai Alexandre, que o levou a Pernambuco, junto com Laurinha, meu neto procurou Mamãe Sal e apelou:
- Mamãe, eu preciso de muitos banhos, porque não estou aguentando o cheiro de minhas axilas!

terça-feira, 28 de junho de 2016

(off) Celebridade


Em vez de fazerem o dever de casa, Pedro e Laura se concentram nas brincadeiras, utilizando os muitos brinquedinhos que têm à disposição. Daqui da sala ouço a conversação deles dois em meio à diversão, num diálogo pra lá de engraçado, embora eles não percebam isso. Diz minha netinha, possivelmente segurando uma de suas bonequinhas:
- Eu sou uma princesa muito famosa.
Mas Pedrinho estranha essa observação:
- Como uma princesa pode ser famosa?
Ao que Laura acrescenta, como justificativa:
- Eu sou uma princesa "pop star"!

(off) Celebridade


Em vez de fazerem o dever de casa, Pedro e Laura se concentram nas brincadeiras, utilizando os muitos brinquedinhos que têm à disposição. Daqui da sala ouço a conversação deles dois em meio à diversão, num diálogo pra lá de engraçado, embora eles não percebam isso. Diz minha netinha, possivelmente segurando uma de suas bonequinhas:
- Eu sou uma princesa muito famosa.
Mas Pedrinho estranha essa observação:
- Como uma princesa pode ser famosa?
Ao que Laura acrescenta, como justificativa:
- Eu sou uma princesa "pop star"!

(off) Celebridade


Em vez de fazerem o dever de casa, Pedro e Laura se concentram nas brincadeiras, utilizando os muitos brinquedinhos que têm à disposição. Daqui da sala ouço a conversação deles dois em meio à diversão, num diálogo pra lá de engraçado, embora eles não percebam isso. Diz minha netinha, possivelmente segurando uma de suas bonequinhas:
- Eu sou uma princesa muito famosa.
Mas Pedrinho estranha essa observação:
- Como uma princesa pode ser famosa?
Ao que Laura acrescenta, como justificativa:
- Eu sou uma princesa "pop star"!

(off) Viajantes

E nem bem retornaram, ontem, da viagem feita com o Papai Alexandre, tendo passado o São João no interior de Pernambuco, eis que Pedro e Laura já estão na estrada de novo. Ao lado da Mamãe Sal e da Vovó Bia, os dois embarcaram no carro da vovó Lea, avó do priminho Ulisses, rumo a Itiruçu, na Chapada Diamantina. Este avô vai curtir mais uma semaninha de saudade. Mas para não deixar esta postagem sem um toque de graça, recordo que ontem mesmo Laurinha abriu a boca para dizer que tinha três dentes moles - e apontou-os:
- Este, este e este aqui.
Sorri e até propus retirá-los logo, mas a menina recusou, manifestando um comportamento no mínimo interessante: ela sorria ao contar a novidade e no final deixou escapar estra frase:
- Ai, eu estou muito animada!



(off) Pelo telefone

Eu ainda estava na cama, nesta manhã, tentando novamente conciliar o sono, quando o telefone tocou e Beatriz veio atendê-lo. Com as antenas ligadas, notei o contentamento da esposa ao ouvir o que lhe diziam do outro lado da linha e por fim exclamando: "Que lindo!". Em seguida ela quis que eu também participasse dessa alegria e trouxe o fone até mim. Era minha filha Ananda quem ligava para nos transmitir uma notícia auspiciosa: Ulisses pronunciou sua primeira palavra, que pude ouvir bem explicadinha. Ele não falou "papai"; ele não falou "mamãe", nem mesmo "vovô" ou "vovó". Instado pela felicíssima mamãe, meu netinho falou alto e claro para que eu ouvisse o mesmo que ele havia dito à avó:
- Ananda!
Falou o nome da própria mãe, que para ele deve ter um significado especial, porque em sânscrito significa "felicidade".
Agora é esperar pelos próximos vocábulos...

(off) Viajantes

E nem bem retornaram, ontem, da viagem feita com o Papai Alexandre, tendo passado o São João no interior de Pernambuco, eis que Pedro e Laura já estão na estrada de novo. Ao lado da Mamãe Sal e da Vovó Bia, os dois embarcaram no carro da vovó Lea, avó do priminho Ulisses, rumo a Itiruçu, na Chapada Diamantina. Este avô vai curtir mais uma semaninha de saudade. Mas para não deixar esta postagem sem um toque de graça, recordo que ontem mesmo Laurinha abriu a boca para dizer que tinha três dentes moles - e apontou-os:
- Este, este e este aqui.
Sorri e até propus retirá-los logo, mas a menina recusou, manifestando um comportamento no mínimo interessante: ela sorria ao contar a novidade e no final deixou escapar estra frase:
- Ai, eu estou muito animada!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

(off) Gaiatices ulissianas


O espertinho do meu terceiro neto só falta falar. Mas em vez de expressar-se em palavras e frases inteligíveis, nosso pequeno Ulisses só pronuncia a sílaba "bá", com a qual pretende fazer-se entender por todos aqui em casa. E até mesmo canta usando seu tatibitate, acompanhando-se com palmas. Quem não gosta muito disso é a Tia Sal, com quem ele fica quase diariamente enquanto a Mamãe Ananda está trabalhando, honrando a profissão. É que, manifestando seu carinho pela tia, Ulisses vira-se para minha filha mais velha, mãe de Pedro e Laura, e dispara:
- Bá-bá!
É claro que essas duas sílabas formam uma palavrinha assaz conhecida e Sal estrila, brincando com o sobrinho:
- Babá nada! Aqui é família; eu sou sua tia!
O menino ri, parecendo entender a admoestação e reforça:
- Babá!
E rimos todos.

(off) Apetite

A verdade é que ele, meu netinho Ulisses, come de tudo. Ainda não descobrimos do que ele não gosta... Ontem, deixei-o sobre minha cama comendo beiju, que ele adora, e me esqueci de limpar o farelo deixado. Vovó Bia não estava e quando ela chegou me perguntou por que a cama estava daquele jeito e então eu lhe respondi com outra pergunta:
- Quem é o maior, ou melhor, o menor comedor de beiju do mundo, que você conhece?
Vovó Bia riu.

A arte da foto é do Dindo Caio.

domingo, 5 de junho de 2016

(off) Um

Com uma semana de antecedência, Ulisses teve seu primeiro aninho comemorado ontem, dia 4 de junho, porque a precavida Mamãe Ananda pesquisou a previsão do tempo e se informou de que vai chover no próximo sábado, dia 11. A festança foi na casa dos avós Lea e Gustavo, em Stela Maris, e para lá acorreram amigos e familiares do prestigioso guri, encantado com a decoração elaborada pelo talento de sua mãe, da Tia Sal e Vovó Bia, que escolheram o avião como motivo. Até este avô estava no clima, trajando uma camisa quase idêntica à do netinho, com estampa de uma aeronave. Bento, Liz, Miguel e Gabriela foram alguns dos amiguinhos da idade de Ulisses que foram abraçá-lo, além dos primos maiores, especialmente Pedro e Laura. Como consequência, nosso menininho acordou hoje com a firme ideia de inaugurar uma loja de brinquedos...

quarta-feira, 25 de maio de 2016

(off) Para alguma coisa

Laurinha tá que tá com sua rebeldia. Quando Ulisses está aqui em casa, ela quer porque quer fazer-se a babá do primo e pouco adiantam as recomendações deste avô e da Mamãe Sal no sentido de fazê-la entender que o menino deve ficar livre para se movimentar. Ainda há pouco, o Vovô a mandou para o quarto porque Laura engatinhava sobre Ulisses e o fez desequilibrar-se e cair. Ela foi chorando e nesse momento seu Dindo Caio chegou e, ouvindo-a chorar, foi vê-la, perguntando o que tinha acontecido. Chorando ela disse qualquer coisa ininteligível e Caio insistiu na pergunta e assim Laurinha esclareceu:
- Veja a placa!
Era a placa da maçaneta da porta, que em um lado dizia "pode entrar" e, do ouro, "não pode". Caio caiu na gargalhada.
Depois, Sal até ela para mais uma conversa séria sobre comportamento e a menina lamentava-se afirmando não servir para nada mesmo. Na sala, ouvindo a conversa, Caio questionava Pedrinho sobre a condição da irmã:
- É verdade, Pepeu? Laura não serve para nada?
O irmão, compadecido, saiu em defesa de Laura:
- Ela serve para alguma coisa, sim! Ela serve para entrar em meu quarto e desarrumar minhas coisas...
E antes que ele continuasse, Caio mais uma vez gargalhou e tudo terminou em diversão.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

(off) Ulisses musical

Renata Rosa é a cantora paulista especializada em música indígena e "de raiz" que atualmente ocupa meus ouvidos. De seu repertório, minha preferência recai sobre a composição intitulada "Janela do dia", que faz referência a Olinda e numa apresentação em Paris ela se fez acompanhar de alguns membros da tribo Cariri-Xocó. Para meu espanto e alegria, descobri que meu neto Ulisses gosta muito dessa música, que ouço no Youtube praticamente todos os dias. Assim, quando o menino ouve a melodia, dispara para perto de mim e agora também tenta acompanhar os versos com seu "lá-lá-lá" engraçadinho. Se ele não precisa disso para me agradar, agora eu sou fã incondicional desse menininho mais que especial...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

(off) Infantilidade


Pedro e Laura tinham copos parecidos nos quais este Vovô lhes servia a habitual vitamina. Para distinguir os respectivos vasilhames, o Vovô escolheu um azul para Pedrinho e um rosa para Laurinha. Mas o de Pedro, por alguma razão, sumiu, desapareceu, escafedeu-se e hoje este avô trouxe-lhe um novo, também azul, decorado com motivos próprios de meninos, mostrando alguns garotinhos guiando carrinhos. Meu neto mais velho apreciou a novidade, mas tinha uma observação a fazer, diretamente a mim, logo que terminou de ingerir a vitamina:
- Vovô Chico, eu gostei deste copo novo, mas tenho de falar: ele é muito infantil!

(off) "Tia" Vel


Não há como negar que meus netinhos, especialmente Laura, afeiçoaram-se bem mais às pessoas que aos assuntos abordados nas aulas de evangelização infantil no Centro Espírita (mas ainda são pequenos e quando amadurecerem mais um pouco conseguirão assimilar esses conceitos). Uma dessas pessoas foi a "tia" Verônica, que Laurinha tratava simplesmente de "tia Vel". Ela precisou desfalcar a equipe e a saudade invadiu o coraçãozinho da menina. Ananias, outro evangelizador, também cativou a simpatia de Pedro e Laura e ele também havia deixado a função no início deste ano, retornando recentemente. Dei a notícia aos meninos quando conversávamos sobre o comportamento deles nessas aulas:
- Sabem quem voltou? Tio Ananias!
Mamãe Sal reforçou o estímulo:
- Que bom, não é, Laura?
Minha neta, contudo, foi sincera:
- É bom, sim, mas eu preferia que fosse tia Vel...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

(off) Coisa de heróis


Na última vez em que meu filho, Miudíns Do Caio, esteve aqui em casa, ocasião em que uma verdadeira bagunça se instala, com todo mundo reunido em torno das crianças, Pedro protagonizou um episódio dos mais interessantes. Enquanto Laura desenhava e Ulisses despertava as atenções das mulheres, meu neto mais velho agarrou-se ao pescoço de seu tio, pelas costas, e fez esta proposta:
- Tio Caio, você é o super herói e eu sou sua capa!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

(off) Enrolation

Não é de hoje que Pedrinho cantarola forçando um inglês que certamente só ele entende. Agora há pouco ele se deliciava nessa cantilena, enquanto esperava Mamãe Sal lhe servir um belo prato de cuscuz que Laurinha não aceitou. Ouvindo a voz de seu filho, Sal estranhou:
- O que foi que esse menino só canta em inglês agora?
Pedro dá uma interessante justificativa:
- Português é par velhinhos. Eu, agora, só vou cantar em língua inglesa, porque estou crescido.
Eu rio alto dessa explicação e futuco meu neto:
- Peu, quem inventou a língua inglesa?
Ele pensa que sabe e responde perguntando:
- Ué, não foram os ingleses?
Mas ele tem um avô provocador:
- Não foi a rainha da Inglaterra?
Pedro ri, por sua vez, e comenta:
- Esse é o Vovô Chico e suas piadas ótimas... e sem sentido!




quarta-feira, 20 de abril de 2016

(off) Matemática divertida


Acho que estou perdendo o bom conceito que construí perante Pedrinho. Digo isso refletindo acerca da dificuldade que por vezes encontramos ao tentar fazer conta de cabeça e nesses momentos recorremos aos dedos das mãos. Na tentativa de fazer com que ele visse que a coisa não é mesmo tão fácil, propus-lhe um truque quando voltávamos para casa, no domingo, após a aula de evangelização no Centro. Como é sabido e notório, nós temos 10 dedos nas mãos, mas mostrei a Pedro que, na verdade, eu tinha um a mais e provei minha teoria:
apresentei uma das mãos e comecei a contar em ordem regressiva, a partir do 10; desse modo, no último dedo cheguei ao seis e em seguida apresentei a outra mão somando com o seis os cinco novos dedos, resultando em 11.
- Entendeu, Pedro?
Mas meu neto, do alto de seus sete aninhos, não cai mais na minha astúcia e disparou:
- Vovô Chico, você é um perfeito piadista!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Gaiatices ulissianas

Minha carinha de menino sapeca diz que já tenho 10 meses, quatro dentinhos e uma vontade imensa de aumentar minhas gaiatices, ao lado de meu dindo, Caio, e do meu primão, Pedro? Pois é, eu vim para as grandes aventuras, conforme meu avô acredita...



(off) Cinema


- Vamos brincar de filme?
Laurinha topou na hora o convite de Pedro, feito enquanto se divertiam com as pecinhas do jogo Lego, logo após o almoço. E a menina, então, pôs-se a fantasiar:
- Eu era apenas uma menina normal no início do filme. Depois eu tocava numa borboleta e virava uma super heroína, mas eu já sabia!
De cá do meu canto, ouvindo a conversa dos netos, que não podia ser mais alta porque Ulisses dormia, não resisto a uma risada - que não podia ser uma gargalhada porque Ulisses dormia...

sexta-feira, 8 de abril de 2016

(off) Ponga


Já é tradição os meninos - Pedro e Laura - dormirem na casa dos avós uma vez por mês, na data do desaniversário de cada um deles - respectivamente, nos dias 10 e 11. Nesta sexta-feira, 8 de abril, quem passará a noite com este Avô e Vovó Bia é Ulisses, também pongando no privilégio concedido aos primos. Acontece que ele também nasceu num dia 11, assim como Laurinha, e vemos que não é possível trazer os dois ao mesmo tempo, porquanto Ulisses ainda é um bebê. De qualquer modo, será a primeira vez dele e principalmente eu estou muito curioso sobre como será esta noite com nosso menininho aqui...

(off) Como é?


Laurinha está se ensaiando para uma possível atividade feminista no futuro, o que quer dizer que minha neta se exercita na rebeldia questionadora, o que deixa Mamãe Sal por vezes impaciente. Agora há pouco, mesmo, Laura, porque implicasse com a comida no prato, fez mais uma cena que desgostou os adultos presentes. Assim, após tê-la posto de castigo, isto é, dar-lhe alguns minutos para reflexão acerca do próprio comportamento, o que naturalmente ela desperdiça entregando-se ao pranto, pedi-lhe que tomasse um banho e, depois, sentamos os dois frente ao prato e lhe dei a comida na boca. Ela aproveitou para fazer uma "queixa":
- Vovô, de manhã Mamãe ligou a televisão e ficou assistindo; quando eu e Pupu quisemos ver também ela mandou a gente desligar. Será que ela pensa que a gente é mordomo dela?
Claro que procurei desfazer essa imagem da mente em formação de minha neta, dizendo-lhe que ela e o irmão eram filhos e por isso deviam obediência à mãe - e Laura assentiu:
- Ah, você disse tudo!

domingo, 3 de abril de 2016

(off) Amor


Meu neto Ulisses e eu temos uma história que transcende o momento presente, mas é exatamente neste que experimentamos, eu e ele, as manifestações de carinho que costumam caracterizar aqueles que verdadeiramente se amam. É sabido que os bebês atraem muito facilmente nossos gestos de devotamento, beirando o desapego, ou seja: damo-nos ao cuidado com eles com alguma abnegação, frequentemente. Mas o que dizer quando somos o objeto dessa solicitude por parte de quem na verdade está aí para receber de nós, quase que unicamente? Pois ontem, quando cheguei em casa para o almoço, meu netinho, que tem só nove meses, já estava recebendo a alimentação dele, das mãos da devotada Mamãe Ananda. Assim, cumprimentei Ulisses com um beijo na testa e fiquei ao lado dele, incentivando-o a comer. Nisso, ele põe a mão na boca e tira um pouco de comida e o oferece a mim. Surpreso, admirado e feliz, aceitei a oferta, impressionado com o gesto do menino!

quarta-feira, 23 de março de 2016

(off) Velho, eu?


Quando a nova novela da "Poderosa" ainda não havia estreado e a emissora veiculava as chamadas de "Velho Chico", Laurinha sentiu a comichão da dúvida instalar-se entre suas orelhas e por isso me indagou:
- Vovô, essa novela é sobre você?
Respondi-lhe que não sou tão velho assim, mas penso que meus netos, talvez por causa de meus cabelos brancos, acreditam que sou um ancião. A prova disso deu-ma Pedrinho ontem à tarde, quando saímos juntos para o mercado e no caminho encontramos meu filho, Caio Cavalcante, que fez a meu neto esta recomendação:
- Cuide de seu avô, certo? Não deixe que abusem ele.
Quando Caio se despediu, perguntei a Pedro se alguém realmente abusaria de mim e meu neto foi franco:
- Não, você é velho e todo mundo respeita os velhos!
É mole?

(off) Inocência


Pedrinho, como vocês sabem, adora ver vídeos em sua tabuleta eletrônica e agora sua nova mania é assistir a tudo referente ao Minecraft, que é moda entre a garotada da idade de meu neto - e Laurinha também entrou nessa! No entanto, a Mamãe Sal, preocupada com a educação do menino, proibiu-o de ver certos programinhas do Youtube, ao que ele corresponde na medida de suas possibilidades intelectivas. Neste momento mesmo ele se diverte com um desses vídeos, no qual o narrador comenta algumas dificuldades no joguinho e, decepcionado, solta alguns palavrões. No entanto, Pedro parece se concentrar unicamente no aspecto visual do programa e por isso me responde inocentemente quando lhe pergunto:
- Por que você ouve esses palavrões todos, Pedro?
E eis a resposta:
- Eu não estou entendendo nada!

domingo, 20 de março de 2016

(off) Vovovô

Ulisses é a razão pela qual sou conhecido como Vovovô - uma sílaba para cada neto...



(off) Cuidado com os ratos




Dia desses eu ouvia uma conversa entre Pedro e Laura, num momento em que eles se distraíam brincando. Dizia Laurinha ao irmão que não se podia entrar num sanitário junto com o Mickey. Sim, ela falava do simpático ratinho criado por Walt Disney e por isso estiquei as orelhas, pronto para ouvir a piada do dia e esperando que Pedrinho perguntasse a razão dessa impossibilidade. E é então que minha netinha responde:
- Porque xixi de rato dá lepispitose (sic).
E foi porque essa noite sonhei com ratos, muitos ratos fugindo dos bueiros numa chuva forte, que me lembrei dessa conversa dos meninos...